Porto Alegre restaura praça para voltar a 1924

Porto Alegre restaura praça para voltar a 1924

Reforma dará à Alfândega, no centro da cidade, calçadas mais[br]largas e jardins ensolarados, retomando as formas do passado

Elder Ogliari / PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

24 Março 2010 | 00h00

Fechada por tapumes há duas semanas, a Praça da Alfândega, a mais tradicional de Porto Alegre, vai passar por uma completa restauração para voltar às formas de 1924 - ou o mais próximo possível. Quando pronta, até o final do ano, terá calçadas mais largas, em mosaicos portugueses, jardins delimitados por cercas-vivas, monumentos destacados e iluminação mais forte.

A praça ficará mais acolhedora para os moradores do centro, os turistas e os cerca de 90 mil porto-alegrenses que passam por ela diariamente.

Além disso, ficará mais visível como interligação entre quatro grandes centros culturais. Ao seu redor estão o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), o Memorial do Rio Grande do Sul, o Santander Cultural e, em breve, a Caixa Cultural. "A praça estabelece a harmonia entre os prédios restaurados e o espaço público", afirmou a coordenadora da Unidade Executora do Projeto Porto Alegre do Programa Monumenta, Briane Panitz Bicca.

A Praça da Alfândega nasceu junto com a cidade, no século 18, como um largo por onde chegavam e partiam passageiros e mercadorias. Ao longo do tempo, mudou o nome de Largo da Quitanda para Praça Senador Florêncio e, finalmente, Praça da Alfândega. Suas características físicas também mudaram. No início do século 20, ganhou mais árvores e jardins e passou a ser ligada ao porto por uma avenida de duas quadras, a Sepúlveda.

Nos anos 70, conta o arquiteto Luiz Merino Xavier, do Projeto Monumenta, a praça foi descaracterizada pela construção de um banheiro, alteração de passeios internos e crescimento desordenado de árvores. "Propomos retornar ao desenho original não por preciosismo, mas porque era mais funcional", afirma Xavier.

Algumas árvores serão retiradas com autorização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. O espelho d"água em torno da estátua equestre de General Osório, maior dos 16 monumentos da praça, será substituído por jatos d"água. O banheiro público será transferido para um prédio de apoio ao lado, no qual também serão instalados um café, duas bancas de revistas, uma de mel e uma de flores. A Feira do Artesanato será transferida para uma rua lateral, onde já estão os engraxates. "A Praça da Alfândega pode voltar a ser a sala de estar da cidade", diz Xavier.

Dono de uma banca de livros e revistas no local há 32 anos, José Júlio La Porta acredita que a reforma vai deixar a população "mais confiante" para voltar a usar a praça como espaço de lazer e convívio. O engraxate Lindolfo Teixeira, há 16 anos no local, destaca que "o posto de polícia vai dar mais segurança".

Diretores dos centros culturais na praça também mostram-se favoráveis à restauração. "É um grande espaço de circulação ainda mal utilizado", observa Liliana Magalhães, do Santander Cultural. Para Cézar Prestes, do Margs, a Praça da Alfândega está no centro de um grande polo cultural, que tem também, a poucas quadras, outros locais importantes, como o Mercado Público, o Centro Cultural CEEE, o Museu da Comunicação Social, a Casa de Cultura Mário Quintana e o Gasômetro. "A preocupação com restauração, iluminação e segurança favorece a criação do hábito da visitação", destaca. "Eventos no Margs e no Santander mostraram que a região tem um potencial atrativo grande."

Monumenta. A restauração da Praça da Alfândega é uma das dezenas de intervenções já feitas, em andamento ou projetadas para Porto Alegre pelo Programa Monumenta do Ministério da Cultura. A prefeitura da capital gaúcha vai gastar R$ 2,9 milhões como contrapartida a outras obras do programa na cidade.

O projeto já financiou parte das restaurações de prédios públicos e incentivou a reforma de edifícios privados.

TRÊS RAZÕES PARA...

Revitalizar o "coração" de Porto Alegre

1. A praça é patrimônio histórico nacional e como tal deve manter

características próximas das originais. Ela foi muito alterada nos anos 70

2. Desde a origem da cidade, a área aparece como o coração de Porto Alegre. Na nova configuração, volta a ser acolhedora para a população

3. Restaurada, a praça torna-se uma espécie de "costura" entre os vários prédios e monumentos já restaurados nos arredores

O CORREDOR CULTURAL

Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs)

Prédio concluído em 1913 em estilo neoclássico, com quase 5 mil metros quadrados, restaurado em 1998. Abriga exposições de artes plásticas nacionais e internacionais, a Bienal do Mercosul e exibição do acervo de quase 3 mil obras

Memorial do Rio Gr. do Sul

Prédio concluído em 1914, em estilo eclético e barroco germânico, com 3,6 mil metros quadrados, restaurado em 1998. Atua na preservação de documentos, pesquisa e divulgação da história do Rio Grande do Sul por meio de exposições locais e itinerantes

Santander Cultural

Prédio concluído em 1932, em estilo neoclássico, com 5,6 mil metros quadrados, adaptado para funções culturais em 2001. Abriga exposições de artes visuais, a Bienal do Mercosul, exibição de filmes e shows musicais

Caixa Cultural

Prédio de 6,5 mil metros quadrados, em estilo art déco, concluído em 1931 e atualmente em fase de restauração. A previsão de conclusão dos trabalhos é maio deste ano, mas admite-se como provável a prorrogação das obras. Principais atividades quando pronto: teatro, museu e exposições

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