Portela muda roteiro e inclui Marinha no enredo

A pedido da instituição militar, temas não previstos, como a defesa do litoral, vão fazer parte de desfile sobre o mar; escola de samba nega patrocínio

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2010 | 00h00

A quatro meses do desfile das escolas de samba no carnaval, os responsáveis pelo enredo da Portela precisarão fazer uma pequena alteração no roteiro de sua apresentação para acomodar uma sugestão da Marinha brasileira. Com o objetivo de divulgar suas atividades na festa mais popular do País, a instituição pediu que a escola de Madureira, na zona norte do Rio, representasse as ações de defesa do litoral brasileiro no desfile de 2011.

A Portela levará para o sambódromo carioca o enredo Rio, Azul da Cor do Mar, mas os planos originais não contemplavam nenhuma referência à Marinha. A mudança teve início após um pedido do contra-almirante Farias Alves, diretor do Centro de Comunicação da instituição, ao presidente da escola, Nilo Figueiredo, que é oficial reformado.

Segundo o comandante Farias Alves, a Marinha reconhece que o enredo estava praticamente definido, mas considerava importante a menção aos 4,5 milhões de quilômetros quadrados na costa brasileira patrulhados pela instituição - por equivaler à área da Amazônia, a faixa marítima é chamada de Amazônia Azul. "O enredo oferece uma excelente oportunidade para a divulgação das atividades da Marinha, do conceito da Amazônia Azul e da mentalidade marítima junto à sociedade", afirma.

Buscando evitar polêmica, o presidente da escola e os responsáveis pelo enredo portelense esclarecem que a Marinha não patrocina o desfile e não dará nenhuma contribuição financeira para ser citada pela agremiação.

"Não existe parceria nenhuma e a Marinha não vai colocar dinheiro na escola ou participar do carnaval da Portela. Vamos simplesmente falar de alguns conceitos que se encaixam no nosso enredo", diz Figueiredo.

Diálogo. Os autores do desfile que será levado à Marquês de Sapucaí afirmam que a decisão de fazer uma pequena mudança na apresentação para destacar a atuação da Marinha na proteção da costa brasileira e das reservas de petróleo no litoral foi resultado de um diálogo com a escola.

"Eles precisavam divulgar o conceito da Amazônia Azul e acreditaram que uma escola de samba poderia ajudar, pelo alcance popular que nós temos", avalia Cláudio Vieira, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do enredo. "Essa ideia caiu como uma luva no nosso sexto setor, mas ainda estamos definindo como a referência a esse conceito será representada."

A história que a Portela pretende contar em seu desfile do ano que vem é extensa, tratando das Grandes Navegações, do comércio de especiarias, do tráfico de escravos e da pesca. Com o recorte necessário para espremer o enredo em pouco mais de uma hora, a Marinha ficaria de fora. A instituição informa que vai permitir a visita a navios, submarinos e bases por integrantes da Portela, e que vai contribuir com os projetos sociais da escola.

Segundo Cláudio Vieira, a escola ainda negocia patrocínios para o carnaval do ano que vem - o que seria necessário para financiar as fantasias que serão doadas aos componentes que fazem parte da comunidade. "Estamos tentando conseguir patrocinadores relacionados ao enredo que já foi montado, como empresas ligadas à navegação. Se houver acordo, será de forma muito natural, sem desviar nada do roteiro da escola", afirma.

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