Porteiro suspeito de assassinato não poderia estar armado, diz advogado

Funcionário de estacionamento é considerado foragido; vendedor de 19 anos foi morto e outros dois ficaram feridos após discussão

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2015 | 19h55

SÃO PAULO - O porteiro Fernando Santana Pereira, de 36 anos, não poderia estar portando arma de fogo no serviço que fazia no estacionamento de uma loja de roupas em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo. Uma discussão que envolveu Pereira neste domingo, 3, resultou na morte do vendedor José Gabriel Souza de Oliveira, de 19 anos. Outras duas pessoas ficaram feridas pelos tiros cuja suspeita de autoria recai sobre o porteiro.

As informações são do advogado José Soares da Costa Neto, que representa a empresa Emanoel Serviços de Portaria, para a qual o porteiro trabalhava há cinco anos, sem registro anterior de problemas. “Ele estava armado por conta própria ali. Não poderia de forma alguma e fez por sua conta em risco”, disse o advogado ao Estado na noite desta segunda-feira, 4. O suspeito fugiu do local logo após os disparos e permanece foragido.

As informações da ocorrência são do boletim de ocorrência registrado na Delegacia Central de Embu das Artes e foram repassadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. A discussão teria começado às 17h30 na Rua Muni Stemberg, no bairro Tingidor. Além de Oliveira, estavam presentes dois primos: um motorista de 23 anos e um barman, de 26.

Eles teriam se chateado após encontrarem dificuldade para pagar o estacionamento de uma loja de roupas onde estavam, que não aceitava uma determinada bandeira de cartão de crédito. O grupo então se deslocou para sacar dinheiro em um caixa eletrônico próximo e o retorno deles ao estacionamento teria sido proibido porque o local teria atingido seu horário de fechamento. O preço do estacionamento é R$ 12.

De acordo com o relatado pela SSP, “em meio a discussão, um dos seguranças puxou uma arma. Quando uma das vítimas disse ‘atira’, o segurança atirou.” O tiro atingiu o vendedor pelas costas e apesar de ter sido prestado atendimento médico imediato, a vítima não resistiu à gravidade dos ferimentos. O barman foi atingido no peito, no braço e na perna. O motorista levou um tiro na mão. Eles foram levados ao Pronto-Socorro central de Embu das Artes e transferidos posteriormente ao Hospital Geral de Pirajussara.

O advogado José Soares da Costa Neto esclareceu que o homem não prestava serviços como segurança e estava ali apenas como porteiro. Ele compareceu ao plantão e se comprometeu a fornecer a qualificação do funcionário, que ao longo da semana deverá comparecer à delegacia. O caso foi registrado como homicídio tentado e consumado.

A família do vendedor recebeu a notícia com consternação. O pai de Oliveira, Solon Almeida de Oliveira, cobrou punição para os envolvidos. “Só espero que essa pessoa seja punida e essa loja também tem de ser punida por não saber contratar seus funcionários. Aconteceu tudo isso por causa de R$ 12 do estacionamento”, disse à Rede Globo, em entrevista veiculada no programa Bom dia São Paulo nesta segunda-feira, 4.

Tudo o que sabemos sobre:
Violência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.