Por trás dos saques, morador de rua, viciado e trabalhador

Eles entraram nas lojas depois que anarquistas quebraram os estabelecimentos na região central

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2013 | 02h01

Os ladrões de ocasião juntaram-se a manifestantes que depredavam lojas para saquear na noite de anteontem. O resultado foi a destruição de pelo menos 29 estabelecimentos comerciais na região central de São Paulo.

Inicialmente, anarquistas destruíram duas agências bancárias do Itaú. Sem a presença de nenhum policial para coibir a ação criminosa, mesmo a poucos metros da Secretaria de Estado da Segurança Pública, eles passaram a atacar também lojas na Praça do Patriarca. Foi aí que moradores de rua, usuários de drogas e até pessoas que saíam do trabalho no centro aderiram ao grupo para furtar produtos.

Os principais alvos eram eletrodomésticos, como TVs e computadores. De repente, várias pessoas podiam ser vistas carregando caixas de grandes aparelhos televisores. Um usuário de drogas estava oferecendo uma TV de 40 polegadas por R$ 200 em pleno Viaduto do Chá.

No McDonald's, saqueadores foram cuidadosos e levaram tortas de maçã, em vez de sorvetes, para que não derretessem até chegar em casa. O segurança, sem ter o que fazer, foi obrigado a assistir à cena em silêncio.

"Não filma, não. Não filma, não", repetiam alguns. Outros, porém, entravam nas lojas filmando com os celulares. Alguns vídeos foram parar no YouTube.

Pessoas uniformizadas, que haviam acabado de sair do trabalho, se juntaram ao grupo que assaltava as lojas. "Ai, queria tanto um celular novo", comentou uma jovem que passava pelo local. "Pena que não tenho coragem de roubar", completou. Outros, porém, não viram problema em voltar para casa com produtos furtados.

A reportagem do Estado presenciou meninos de rua saindo com brinquedos e doces das Lojas Americanas da Rua Direita e moradores de rua aproveitando para levar roupas de uma filial das Lojas Marisa.

Um homem de origem andina, que havia poucos minutos estava no prédio da Prefeitura tentando impedir o vandalismo, entrou em uma loja do Boticário e saiu com cremes e xampus.

Um rapaz visivelmente alcoolizado que deixava uma loja com um tablet nas mãos teve dificuldade para descobrir como ligar o aparelho. Outro homem, também embriagado, se esforçava para carregar um monitor de computador.

A Tropa de Choque da Polícia Militar, em pelo menos cinco ônibus, só chegou ao local quando as pessoas que haviam praticado os saques já tinham fugido dos arredores da Rua Barão de Itapetinga

Pela baderna e pelos saques, 61 pessoas foram detidas e encaminhadas para cinco distritos policiais. Muitos eram moradores de rua que não tinham onde esconder os produtos furtados.

Alguns foram recuperados pela polícia, mas a grande maioria se perdeu. A Associação Comercial de São Paulo não soube informar o valor do prejuízo.

Câmera. Os jornalistas também foram vítimas. Na tarde de ontem, a PM flagrou dois homens carregando uma câmera de TV com um símbolo da Rede Record. O aparelho está avaliado em R$ 200 mil. Sem conseguir explicar sua origem, os homens foram levados ao 2.º DP (Bom Retiro). Ambos foram presos em flagrante por receptação. Funcionários da emissora foram até a delegacia e reconheceram a câmera, que havia sido roubada anteontem.

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