Por trás de números, nuances da cidade

Locais mais masculinos são albergues, imóveis abandonados e presídios; no lado feminino, faculdades estão entre os polos de atração

Paulo Saldaña e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2011 | 00h00

Em uma cidade com 1,9 milhão de crianças, há três prédios onde não mora ninguém com menos de 12 anos. Quatro centenários vivem com outros 212 idosos no condomínio mais "terceira idade" da capital. No centro fica o quarteirão mais masculino - são quatro homens para cada dama que vive ali. Já na Rua Augusta, na Bela Vista, 66% dos moradores de um edifício são mulheres.

Esses são os retratos detalhados de São Paulo feitos a partir da lista completa dos setores censitários. O Estado tabelou todos os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e descobriu onde mais se concentram homens, mulheres, crianças e idosos, listados abaixo.

Os dados trazem luz a aspectos curiosos e determinantes da metrópole. Apesar de São Paulo ter mais mulheres que homens, há mais concentrações masculinas do que femininas. Os homens se concentram principalmente em albergues, ocupações de sem-teto e presídios. Entre as mulheres, o mais comum é encontrar prédios com concentração feminina perto de locais de atração, como faculdades.

Quando se olha a faixa etária, há favelas e áreas indígenas no extremo sul onde quase 50% dos habitantes têm menos de 12 anos. "A baixa renda é a principal explicação", diz o analista Jefferson Mariano, do IBGE. Mas o comportamento vira o fator determinante ao se ver que os setores com menos crianças são os prédios na Bela Vista e na Consolação. Idosos, por sua vez, concentram-se em prédios antigos e se espalham pela cidade, desde o Butantã, na zona oeste, até a Vila Medeiros, na norte.

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