Reprodução/TV Tem
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Por temer represálias, comerciante retira faixa que pedia organização de ladrões

Após assaltos, lojista de Sorocaba fez cartaz falando para assaltantes roubarem um por vez

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2011 | 17h19

SOROCABA - Com medo de sofrer represálias dos bandidos, o comerciante Fábio Lima, de 22 anos, mandou retirar nesta sexta-feira, 21, a faixa que havia colocado na entrada de sua loja, em Sorocaba, a 92 km de São Paulo, pedindo aos ladrões que se organizassem para roubar o estabelecimento. O protesto durou apenas dois dias, mas ganhou repercussão inclusive nas redes sociais. Internautas, que viram um vídeo postado na internet se solidarizaram com Lima. "Achei melhor tirar para não dar motivo para eles. Os bandidos podem enxergar como uma afronta e querer se vingar", justificou.

A loja de acessórios para motos fica na Avenida Afonso Vergueiro, na região central de Sorocaba e, só este ano, foi assaltada três vezes, duas na semana passada. Após a última ação dos bandidos, Lima consultou o pai e mandou fazer a faixa com os dizeres: "Srs. Ladrões e Assaltantes. Como esta avenida está abandonada e a segurança pública é de mintirinha (sic), por favor, queiram se organizar para todos não virem ao mesmo tempo."

A avenida, principal ligação entre as zonas leste e oeste, é uma das mais movimentadas da cidade. "Todo mundo por aqui já foi assaltado e é um absurdo você ter de trabalhar assim. Achei que não podia ficar omisso", disse o comerciante.

O comerciante mudou a loja, que antes ficava próxima do aeroporto, para o centro em busca de segurança. Em quatro anos naquele local, ele havia sido assaltado somente uma vez. "Achei que estaria mais seguro, pois meu endereço anterior ficava na zona norte, considerada mais violenta. O problema é que falta policiamento em toda parte", disse.

Segundo Lima, os ladrões não se intimidam com as câmeras que cobrem todo o interior do estabelecimento e uma parte da rua. "Eles entram de capacete ou com capuz, o que dificulta a identificação." No primeiro assalto, o bandido armado rendeu os funcionários e, além de limpar o caixa, carregou três capacetes de alto valor. Nos outros, foram levados só materiais.

As imagens captadas pelas câmeras mostram os bandidos agindo com aparente tranquilidade. "Dá a impressão que eles estão dentro da casa deles", disse o comerciante. Nas três vezes, ele registrou a ocorrência na Polícia Civil. Apenas no primeiro caso ele foi procurado por policiais para reconhecer um suspeito.

"Não era o cara que me assaltou", disse.

Investimento. Lima contratou um segurança para ficar o dia todo na porta do estabelecimento. "Somos obrigados a pagar para ter a segurança que o Estado deveria dar." Segundo ele, mesmo com toda a repercussão, o policiamento na região não melhorou. "Veja se você vê algum policial aí pela rua", disse.

Outros comerciantes da avenida também reclamam dos assaltos. Um deles teve a loja roubada quatro vezes e decidiu contratar uma empresa de segurança privada por R$ 8 mil mensais. Ele contou que só depois descobriu que o dono da empresa é um policial.

De acordo com a Polícia Militar, foram registrados 83 furtos e 36 furtos na avenida este ano. O número elevado levou a PM a reforçar o policiamento, colocando viaturas em pontos estratégicos nos horários de grande fluxo. Em toda a cidade, de janeiro a agosto, foram 1.358 roubos e 4.987 furtos. No ano passado, segundo a Secretaria da Segurança Pública, foram registrados 1.809 roubos e 7.565 furtos.

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