Por salário, policiais fazem greve de 24h na quinta em SP

Prisões em flagrante e atendimento a casos de homicídio serão mantidos

Marcelo Godoy e Humberto Maia Junior, do Estadão

11 de julho de 2007 | 09h38

Descontentes com o aumento anunciado pelo governo na semana passada, os sindicatos dos policiais civis de São Paulo prometem paralisar parte das atividades da instituição durante 24 horas, a partir das 8 horas de quinta-feira, 11. Os policiais querem 48% de aumento do salário padrão - o governo concedeu na semana passada reajustes que vão de 3,8% a 23,4% nas gratificações recebidas pelos policiais. A categoria informou que vai manter 30% dos policiais em serviço.O movimento dos civis conta com apoio de entidades da Polícia Militar, que estão organizando um protesto com mulheres e familiares de policiais no Viaduto do Chá. Mas a maior entidade de classe da PM, a Associação de Cabos e Soldados, está reticente, o que pode esvaziar a manifestação. Para ela, o aumento dado pelo governo foi razoável. Embora não atenda aos 50 mil aposentados e pensionistas, que queriam a incorporação das gratificações ao salário, há pouco do que reclamar.O governador José Serra (PSDB), que foi vaiado na segunda-feira, 9, por policiais e seus familiares no desfile em comemoração aos 75 anos da Revolução Constitucionalista, disse na terça-feira, 10, que a proposta de reajuste anunciada semana passada é "excelente".Serra classificou de mentira as afirmações dos manifestantes de que o salário caiu nos últimos anos. "De 2002 para cá, o salário real (descontada a inflação medida pelo IPC da Fipe) aumentou." Os aumentos para as polícias foram, segundo o governo, de 25% a 65%, dependendo da carreira, acima da inflação.GratificaçõesOs sindicalistas afirmam que esse aumento foi dado nas gratificações, o que faz com que o salário padrão continue sem reajuste. "Quando nos aposentamos, perdemos as gratificações", disse José Leal, presidente do Sindicato dos Delegados.Para Serra, os policiais que protestam são a "minoria da minoria e não têm representatividade". Segundo ele, "a imprensa passa a idéia de que o volume de manifestantes é expressivo, quando, na verdade, não é". Leal responde: "Não somos minoria". Ele disse que serviços essenciais, como prisões em flagrante e atendimento a casos de homicídio, serão mantidos, mas depoimentos e intimações serão adiados.Pela proposta do governo, o salário inicial de um delegado passaria de R$ 3,5 mil para R$ 4,2 mil. "O governo quer equilibrar suas contas à custa do funcionalismo", disse Leal, que negou que a greve vá deixar os criminosos livres para atacar.Entre os que vão protestar em apoio aos civis está a Associação de Oficiais da Reserva da PM. "Vamos com camisetas com fotos do ‘exterminador da polícia’", disse o coronel Hermes Bittencourt Cruz. Entre as faixas que ele quer levar está uma que diz: "O PCC e o crime organizado estão felizes com o salário dos policiais".

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