Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Por R$ 652 mil, Prefeitura de SP cerca Praça Pôr do Sol após pedido de associações

Cercamento com alambrado deve terminar na próxima semana; decisão divide opiniões de frequentadores e moradores

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2021 | 15h49

A Prefeitura de São Paulo iniciou a instalação de alambrado e portões no entorno de toda a área da  Praça Coronel Custódio Fernandes Pinheiro, também conhecida como Praça Pôr do Sol, em Alto de Pinheiros, zona oeste da cidade. Com custo de R$ 652,9 mil, a obra foi realizada a pedidos da Associação Amigos do Alto de Pinheiros (SAAP) e da Associação de Moradores de City Boaçava, mas divide opiniões de frequentadores e da população do entorno.

Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), a iniciativa tem o objetivo de “facilitar o controle de pessoas para não causar aglomeração” durante a pandemia da covid-19 e facilitar a “conservação do local, que contém características de parque e recebe grande quantidade de frequentadores”. 

Iniciada em 11 de dezembro, a obra tem prazo de execução de 60 dias e, portanto, deve ser entregue na próxima semana. Ela é realizada por uma empresa privada, contratada pela Subprefeitura de Pinheiros.

Os horários de funcionamento e a capacidade máxima de ocupação estão em fase de estudos.“Foram instalados alambrados em vez de grades, por ser mais econômico. Os tijolos vistos nas imagens são apenas para sustentação do material”, acrescentou a Prefeitura, por meio de nota. O alambrado substituirá um cercamento provisório com tapumes, colocado em abril do ano passado após o registro de aglomerações e que teve o custo de R$ 800 mil.

Com 28 mil metros quadrados, a praça atrai também moradores de outras regiões e turistas, especialmente pelo pôr do sol. Em 2019, passou por outra obra, de R$ 350 mil (obtidos via emenda de um então vereador), o que incluiu a construção de escadas de acesso e a implantação de dois playgrounds e um cachorródromo.

A nova obra divide opiniões. Morador do entorno, o empresário e doutor em urbanismo Hugo Louro e Silva, de 39 anos, critica a iniciativa. "Grades não representam segurança, representam que o espaço não pertence a quem está do lado de fora”, alega.

“Há anos eles (as associações) querem que a praça passe a ser uma propriedade de quem mora, com acesso de quem mora, controlado, do que um bem público naquela região. A associação está usando a pandemia como um álibi para executar um ato com custo para os cofres públicos e de exclusão social descarada.”

Ele defende que o recurso poderia ser investido em demandas que considera mais necessárias. “Por R$ 600 mil, seria possível fazer muita coisa para mudar a qualificação não só da (Praça) do Pôr do Sol, quanto da (Praça) das Corujas e qualquer outra praça da região ou da cidade”, argumenta. “Com R$600 mil, dava para fazer melhorias na escola que fica do lado da praça, por exemplo, que atende os filhos de quem trabalha na região.”

Parte da diretoria da Saap, a engenheira Silvia Zanotti Magalhães, de 47 anos, discorda. Ela lembra que medidas do tipo são defendidas pela associação desde 2014, porque outras foram insuficientes para resolver o impacto da maior popularidade do espaço, quando "virou moda" entre os jovens.

Segundo ela, o aumento de frequentadores trouxe mais lixo, barulho e o consumo de bebidas e drogas durante a noite. “O que a gente quer é uma praça bonita, bacana, segura e grátis. O cercamento  é uma estratégia para ter um controle e diminuir o uso noturno predatório”, comenta. Ela defende que o custo com o envio de fiscais (por causa de comércio ilegal de bebidas), da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropilitana para atender denúncias de moradores também gera custos.

“Na teoria, é óbvio que praças têm que estar abertas. Essa é uma questão super específica dessa praça”, argumenta. “O que a gente quer é uma praça em que não se venda bebida alcoólica, que não se jogue lixo no chão, que não tenha música depois das 22 horas. O que a gente quer é que a lei seja cumprida.”

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