Por R$ 50, idosa vai ao banco armada

Professora foi presa após mostrar revólver ao gerente, mas pagou R$ 415 e acabou liberada

CHICO SIQUEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2012 | 03h05

A professora aposentada Janet Benfatti, de 73 anos, foi presa ontem depois de entrar com um revólver carregado na agência do Itaú do bairro Boa Vista, em São José do Rio Preto, no interior paulista. Janet estava revoltada porque uma das caixas do banco teria deixado de lhe entregar R$ 50 de um saque de R$ 500 que fizera no dia anterior, diferença que ela só notou ontem. "Para o banco pode não fazer falta, mas para mim faz."

Janet pretendia usar a arma para intimidar a funcionária e receber os R$ 50. "Passei pela porta giratória, que nem tocou o alarme." Mas a caixa não tinha ido trabalhar. "Como me falaram que ela não estava, mostrei a arma para o gerente e falei que queria receber o que faltava. Mas ele nem tremeu e disse que não poderia me dar o dinheiro."

Ela conta que foi embora porque percebeu que os seguranças tinham anotado a placa de seu carro, estacionado na rua.

A Polícia Militar mobilizou viaturas e até o helicóptero Águia. Janet foi presa quando se preparava para entrar no elevador do prédio dela, no centro da cidade. Em seu bolso, policiais encontraram a arma, calibre 32, com seis cartuchos intactos, e lhe deram voz de prisão. O revólver, segundo ela, foi doado pelo pai, que morreu há 30 anos.

A professora admitiu à polícia que ameaçou o gerente do banco, mas disse que não pretendia atirar. "Eu queria apenas receber o resto do dinheiro", afirmou. A professora foi presa em flagrante, mas no fim da tarde foi liberada após pagamento de fiança de R$ 415.

'Pessoa de bem'. Formada em Letras e Filosofia, com especialização em Literatura Portuguesa, Janet disse que defende o porte de arma para a população. "Toda mulher que se preze tem de usar uma arma para sua segurança. Sou a favor do porte de arma. A polícia tem de tirar a arma dos bandidos, não das pessoas de bem. Se os bandidos podem usar arma, por que não podemos?", perguntou a professora, enquanto esperava atendimento no plantão policial.

O Itaú não explicou como a professora conseguiu entrar armada na agência e se realmente faltaram os R$ 50 no saque dela. Em nota, o banco disse que lamenta o episódio e está apurando os fatos.

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