Por que tantos fios nas ruas?

Lei de 2005 prevê que 250 km de fiação aérea sejam enterrados anualmente na cidade - no ano passado, porém, foram apenas 3,2 km

O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h10

A paisagem ideal do horizonte paulistano deve ser livre de fios que atrapalhem a vista, o que deixaria São Paulo "mais bela e segura". A ideia de "limpar" a cidade da "indesejável" fiação - a mais bem votada em Paisagem Urbana - apareceu em 51 sugestões e ganhou até slogan, que bem poderia ser adotado pela Prefeitura: "Troque um poste por uma árvore", sugeriu Fernando Salgado, de Moema, zona sul. "Imagine a mudança se plantássemos uma árvore no lugar de cada poste. Elas não podem crescer porque atrapalham os fios."

Com rede elétrica no subsolo, seriam evitados "acidentes, queda de energia e mutilação de árvores com podas que as desequilibram", como argumentou o participante que se identificou apenas como Daniel M. "As principais cidades do mundo já fizeram isso há muito tempo."

A boa intenção esbarra no descumprimento de uma lei municipal de 2005, que propõe enterramento de 250 quilômetros de fios por ano. A lei obriga concessionárias - como AES Eletropaulo e empresas de telefonia e de TVs a cabo - a fazerem o serviço, mas brigas com a Prefeitura impedem o cumprimento da regra.

O problema é que a Eletropaulo (dona de 98% da fiação aérea) afirma só poderá realizar a tarefa após a Prefeitura criar o Programa de Enterramento da Rede Aérea (Pera), até hoje não realizado. A Prefeitura afirmou que lançará um "plano para calçadas, que tratará do enterramento da fiação", mas não forneceu prazo para programas abrangentes.

O custo é outro impeditivo. Enterrar a fiação custaria R$ 240 bilhões - ou R$ 8 milhões/ km. Em 2012, foram enterrados apenas 3,2 km, o mesmo total previsto para este ano.

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