José Patrício/AE
José Patrício/AE

Por que SP não resolve o problema da cracolândia?

Do abandono das ruas ao desperdício de verba pública, entenda a história de degradação da região no centro e as possíveis soluções

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2011 | 00h00

A cracolândia existe porque São Paulo deixou que aquela área no centro virasse um território autônomo, onde as leis funcionam de forma um tanto diferente, onde é considerado normal fumar crack, onde a procissão de drogados já não causa mais espanto nos paulistanos que acham que o problema das drogas nunca vai chegar a suas casas.

Anos e anos de negligência, gestão após gestão de promessas frustradas, a cracolândia virou a terra de homens e mulheres com cascões de sujeira no rosto e no corpo, escondidos em meio a papelões e cobertores sujos, que raspam a calçada em busca de migalhas que caem dos outros cachimbos. Um lugar onde não há nada além do abandono e da degradação.

O problema da cracolândia começa no fato de que os próprios moradores e governantes preferem não enxergar a região - é como se São Paulo tivesse virado as costas. A iluminação é deficiente, o policiamento é quase inexistente, as calçadas esburacadas, o lixo permanece acumulado... É como se, de fato, o uso de drogas fosse legalizado por ali - um cenário de completa omissão. Em tempo: a Prefeitura tem parados em caixa R$ 10 bilhões.

Atualmente, o governo promete internar de forma compulsória dependentes, construindo um centro de acolhimento onde serão feitos a triagem e o encaminhamento dos viciados. O histórico de promessas e obras da Prefeitura, no entanto, não é dos mais otimistas - 35 intervenções em pontos culturais e turísticos no centro da cidade foram realizados desde 1998, com investimento de R$ 1,2 bilhão. É o equivalente a 13 quilômetros de metrô ou 60 Centros Educacionais Unificados (CEUs). E sem resultado aparente.

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