'Por que minha existência provoca essa fúria?'

O que aconteceu?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h04

Estava voltando da farmácia e vim descendo a rua, tranquilo, na minha, com fone de ouvido. Quando ia atravessar a rua, o Bruno mexeu comigo. Não consegui entender o que ele estava falando e tirei o fone. Ele disse: "Está olhando o quê, seu 'viado'? Segue seu rumo, sua 'bicha'". Mas eu não consegui seguir meu rumo e começamos então uma troca de ofensas. Tudo aconteceu no tempo de um semáforo. Foi aí que ele saiu do carro e fiquei muito assustado. Fiz menção de que ia pegar uma pedra e o Diego entrou na história. Ele começou a me bater feito um animal. Me lembro de pensar: "É agora que acabou. Morri".

Você já tinha sido vítima?

Sim, aconteceram outras vezes. Não escondo minha sexualidade e nunca achei que isso fosse um problema para levar minha vida normalmente. Já me jogaram latinha de cerveja quando ficava com alguém. Essas condutas são reiteradas sempre, mas nunca foi nesse nível. Não consigo me conformar de que minha obrigação enquanto gay é ouvir ofensas e seguir meu caminho.

Qual você acha que foi o motivo do ataque?

Não sei dizer o que leva duas pessoas aparentemente bem de vida, jovens, a entrarem com o carro na contramão e atentarem contra a vida de alguém que só queria chegar em casa. Que fúria é essa que faz um cara que deve ter tido todas as oportunidades do mundo bater em outra pessoa de forma tão agressiva? Por que minha existência provoca uma fúria tão desumana?

Como está sendo a repercussão do caso?

Estou bastante impressionado, mas queria muito que as pessoas tivessem consciência de que não quero vingança. Quero justiça. Se estudo Direito e acredito na Justiça, não posso tomar as medidas com minhas próprias mãos. E acho que o preconceituoso também é vítima do próprio preconceito.

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