Por que a situação chegou a esse ponto?

Especialistas apontam de má aplicação de recursos à falta de vontade política para explicar os atuais problemas na segurança pública

BRUNO PAES MANSO, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2012 | 03h07

As cenas da greve de policiais na semana passada mostraram que a situação da segurança pública deve ser vista com cautela. Se não bastasse a escalada de homicídios da década passada, a Bahia testemunhou nos últimos dias PMs serem acusados de saques e chacinas. No Rio, que ainda celebrava os bons resultados das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos morros, bombeiros e policiais civis e militares entraram em greve.

Por que o Brasil não consegue resolver a crise na segurança pública? Especialistas ouvidos pelo Estado apontam causas. Baixo salário de policiais não é a única razão. PMs de São Paulo, por exemplo, que não ameaçam greve, ganham menos que os da Bahia. "A estrutura da segurança pública é muito custosa e ineficiente, com duas polícias por Estado. Há duplicidade de funções e trabalhos concorrentes", afirma o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Lima.

Segundo o coronel José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional da Segurança Pública, se as polícias fossem unificadas, custos cairiam 20%. Silva reclama também da falta de compromisso da União com o tema. "O governo federal prometeu, mas ainda não apresentou um plano nacional de segurança", diz.

Para o sociólogo Claudio Beato, da Universidade Federal de Minas Gerais, a reforma deveria permitir aos Estados definirem o tipo de polícia que querem ter, estabelecendo tarefas que não sejam concorrentes. "É fundamental garantir polícias que respondam pelo ciclo completo, o que significa cuidar de tarefas ostensivas e judiciárias." Ele diz acreditar que corporativismo e falta de compromisso das autoridades afetam a reforma.

Mais racionalidade nos gastos também seria necessário, segundo o cientista político Guaracy Mingardi. Ele critica os "investimentos da moda". "A mudança no sistema de banco de dados, por exemplo. É o tipo de coisa em que se gasta muito. A manutenção de veículos também é muito cara. Em frotas de médio porte, poderia ser terceirizada."

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