Por qual caminho eu vou?

Indecisão ao escolher o curso complica (ainda mais) a vida do vestibulando

Manuel Cunha Pinto, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

Laura levou seis anos até encontrar sua real aptidão

 

À medida que o vestibular vai se aproximando, aumenta a ansiedade dos alunos - especialmente daqueles que ainda não escolheram a carreira.

 

Alexandre Satoru Sato, de 17 anos, faz cursinho no Objetivo e está em dúvida entre Arquitetura ou Publicidade ? ele já cogitou cursar Engenharia. "Me dou bem com números, mas não gostaria de trabalhar em lugar fechado", explica. Sato também pensou em seguir os passos do pai, com quem trabalha em uma empresa de paisagismo. "Gosto de mexer com projeto de jardim, mas meu pai não quer que eu siga esse ramo, diz que não dá dinheiro." Como tem jeito para vendas, ele também pensou em Publicidade.

 

Ana Carolina de Castro Mendes, de 18 anos, não tinha dúvidas de que seria jornalista. Depois de dois vestibulares fracassados, ela agora pensa em Direito. "Estava muito balançada, agora tenho quase certeza", revela Ana, que antes já tinha cogitado Filosofia e Psicologia. Como Sato, ela pondera sobre o que será melhor para seu bolso e acredita que, nesse ponto, o Direito sai na frente. Para acabar com a indecisão, Ana, aluna do Etapa, pensa em buscar orientação de um especialista.

 

Para a orientadora vocacional Maria Stella Sampaio Leite, a angústia em relação à escolha profissional pode estar ligada a um equívoco. "Eles se perguntam se, por escolher determinada profissão, nunca mais terão acesso a outras coisas de que gostam", explica Maria Stella. "Mas a vida não é uma trajetória em linha reta."

 

A história de Laura Bertelli Marcos, de 24 anos, é exemplar de uma trajetória tortuosa, com final feliz. Ela largou os cursos de Jornalismo e Psicologia. Pensou em Design de Interiores e Gerontologia. Até se encontrar na Gastronomia. "Somos amplos, não nos interessamos por uma coisa só", diz.

 

A paulistana mudou-se para Ribeirão Preto aos 14 anos. Depois do ensino médio, passou em Psicologia da Unesp. "Logo senti que não era aquilo." Depois disso, fez Jornalismo e trabalhou como fotógrafa. Mas a nova atividade também durou pouco. "Percebi rápido que eu não conseguiria me expressar da forma como gostaria" conta Laura, que se forma este ano em Gastronomia pelo Centro Universitário Barão de Mauá. Na cozinha de um restaurante francês em Ribeirão, ela diz que, após seis anos, finalmente achou seu caminho. / COLABOROU CAROLINA STANISCI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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