Por pouco, nosso centro não ficou como o de Paris

Urbanista francês chegou a ser contratado pela prefeitura paulistana em 1911, mas 1ª Guerra fez cidade mudar os planos

O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2013 | 00h01

Não fosse a 1.ª Guerra Mundial, o centro de São Paulo poderia ser parecido ao de Paris. Ou, ao menos, ao de Buenos Aires. Isso porque o arquiteto e urbanista francês Joseph-Antoine Bouvard chegou a ser contratado - por 5 mil libras esterlinas - para repensar a organização da cidade pelo prefeito Raimundo Duprat.

Seu currículo era inquestionável. Entre 1897 e 1911, Bouvard foi diretor honorário dos serviços de arquitetura, passeios, viação e do plano da cidade de Paris. "Ele detinha sólida reputação internacional, firmada em mais de 40 anos de atividade como arquiteto e urbanista", conta o pesquisador e arquiteto Eudes Campos, no livro Arquivo Histórico de São Paulo - História Pública da Cidade.

Em 1907, ele foi contratado pela prefeitura de Buenos Aires para remodelar a capital argentina. "Nesse vaivém entre Europa e América do Sul, costumava passar por São Paulo", conta o historiador Guido Alvarenga, do Arquivo Histórico Municipal. Em uma dessas passagens, em 1911, acabou contratado por Duprat. Ele ficou 40 dias na capital e fez um relatório dos pontos prioritários a serem melhorados.

Preocupado com a ocupação dos "claros" deixados pela ocupação natural dos terrenos, Bouvard propôs um traçado mais orgânico das ruas centrais. Os vales, portanto, deixariam de ser vazios. Seu projeto melhoraria também o Anhangabaú e a Várzea do Carmo, com modernização das ruas centrais.

Execução. Entre 1911 e 1914, a prefeitura deu início a tais obras. A então Rua de São João se transformou em avenida, a Rua Líbero Badaró foi alargada e outras vias centrais ganharam melhoramentos. Também foi aprovada a criação no início do Viaduto do Chá da Praça do Patriarca, que só seria concluída nos anos 1920.

"Mas aí veio a guerra...", conta o historiador Guido Alvarenga. Por razões financeiras, o "plano Bouvard" acabou interrompido. E, sem virar Paris nem Buenos Aires, São Paulo cresceu e se tornou gigante a seu modo: completa, mas caótica.

Mais conteúdo sobre:
aniversario, sao paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.