Por medo de ataques, ônibus só vão circular das 7h às 19h em Florianópolis

Santa Catarina já sofreu 98 ataques desde o dia 30 - 30% contra ônibus; atentados seriam retaliação a medidas mais duras nas prisões

JÚLIO CASTRO, ESPECIAL PARA O ESTADO, FLORIANÓPOLIS, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 02h04

Motoristas e cobradores de ônibus de Florianópolis decidiram ontem em assembleia paralisar o serviço no horário noturno. A partir de hoje, as linhas funcionarão somente das 7 às 19 horas. A decisão foi motivada pela onda de atentados que desde 30 de janeiro leva medo a Santa Catarina.

A polícia responsabiliza a facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC) pelos mais de 98 atentados no Estado - mais de 30% deles contra ônibus. Os ataques seriam retaliação a medidas mais duras nas prisões de Santa Catarina.

Ontem de manhã, uma paralisação do transporte público, entre 11h30 e 12h30, já provocou transtornos para os passageiros. À noite, o serviço funcionou até as 20 horas. Depois, o número de veículos caiu praticamente pela metade, com os ônibus circulando com escolta policial. Após as 23 horas, a previsão era de que a circulação seria interrompida.

O secretário de Transportes de Florianópolis, Valdir Piacentini, considerou a decisão de parar precipitada. "Eles (sindicato) estão dizendo que foi uma decisão unilateral. Não é verdade. A prefeitura é contra e tem buscado soluções para que o sistema atue dentro da normalidade", disse Piacentini, lembrando a decisão do prefeito César Souza Júnior, que, nos últimos sete dias, autorizou a locação de 40 veículos para dar suporte com escolta policial aos ônibus.

Com o início do ano letivo estadual na segunda-feira, a situação tende a se agravar. Estudantes do período noturno, que dependem do sistema de transporte público, serão um dos grupos mais afetados.

A Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis deve adiar o início das aulas. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade do Estado (UDESC) decidem hoje se também vão adiar o início das aulas.

Refém. A população de Florianópolis virou "refém" não só dos transtornos como do clima de insegurança criado pelos ataques a ônibus. Nos pontos, o assunto é o mais comentado. À espera de um coletivo na Avenida Mauro Ramos, um dos principais corredores de acesso aos morros e bairros do norte e leste da ilha, o auxiliar de depósito Milton César, de 41 anos, disse que a população vive como se estivesse presa diante do clima de insegurança. "Até parece que somos reféns. O clima é de revolta."

Aluno do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Rafael Berreta, de 15 anos, precisou mudar de casa para se sentir mais tranquilo. Sua mãe, Michelle Berreta, o proibiu de voltar para a residência da família, em Jurerê, enquanto o clima de insegurança no transporte público de Florianópolis persistir. "Já estou na casa da minha avó, no centro, há uma semana", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.