Por lei, SP teria de ter mil km de fios aterrados. Tem 15

Sem punição e fiscalização, cabos de telefone, luz e TV deixam a cidade feia; maioria das exceções foi paga pela iniciativa privada

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2010 | 00h00

Se a lei de 2005 que obriga concessionárias de energia elétrica, de telefonia e de TV a cabo a enterrarem a fiação dos postes da capital fosse cumprida, São Paulo já teria cerca de mil quilômetros de fios e cabos subterrâneos. Hoje, no entanto, são pouco mais de 15 km, enterrados principalmente pela iniciativa privada. A legislação prevê ainda que plantas substituam os postes.

Aprovada em 2005, a lei entrou em vigor em 2006, e sua regulamentação prevê que 250 km de cabos sejam enterrados por ano. Em linha reta, hoje a cidade tem 300 mil km de fiação aérea, que correspondem a cerca de 15 mil km de extensão de fios em postes, dispostos lado a lado. O investimento necessário para enterrá-los ultrapassa R$ 250 bilhões, segundo estimativas da Prefeitura feitas há quatro anos.

Além de contribuir com a revitalização urbana e minimizar a poluição visual, o enterramento reduz o risco de acidentes e de rompimento da fiação, diminuindo ainda os furtos e as ligações clandestinas. Há melhora na acessibilidade, pois a remoção de postes permite livre trânsito nas calçadas.

Na época da regulamentação, a Prefeitura estimou que o trabalho de enterramento poderia ser concluído em cinco anos. Projeções menos animadoras, de médio e de longo prazos, apostavam em substituição completa em 24 anos, finalizada em 2030.

Iniciativas. Em São Paulo, nos locais onde a fiação foi enterrada, a paisagem é limpa e moderna. Entre os bons exemplos, há trechos das Ruas Oscar Freire, Amauri, João Cachoeira e Vitório Fasano - todos custeados pela iniciativa privada. Nas Avenidas Paulista, Rebouças, Faria Lima, 9 de Julho e Rua Avanhandava, os serviços foram feitos pela Prefeitura com a ajuda da iniciativa privada. Na cidade, o total é de 15 km de fios escondidos.

Na Oscar Freire, segundo a presidente da Associação de Lojistas, Rosângela Lira, o enterramento, com patrocínio, em cinco quarteirões deu resultados positivos para o comércio. "As vendas aumentaram mais de 100%. Éramos 15 lojas na associação e agora somos 110", conta.

"A revitalização da Rua Avanhandava também teve parceria entre comerciantes e empresas. A Prefeitura colaborou", lembra Walter Mancini, dono de restaurantes na rua, cujo enterramento foi completado em 2007.

Resposta. A Telefônica informou que sua rede em São Paulo já tem 5,9 mil km de dutos enterrados, por onde passam 64 mil km de cabos de fibra ótica. A empresa alega cumprir a legislação. Esse montante inclui a rede enterrada antes da vigência da lei, a partir de 2006.

A AES Eletropaulo afirma que atende a regulamentação federal estabelecida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no que se refere às redes nas ruas. "Na cidade de São Paulo, a distribuidora fechou um acordo com a Prefeitura para implantação de 84 km de rede subterrânea até 2012", diz. A parceria começou no Parque do Ibirapuera e também inclui a Rua José Paulino, no Bom Retiro.

A NET e a administração municipal não responderam aos questionamentos da reportagem.

A primeira

Genebra, na Suíça, foi pioneira em acabar com cabos e fios pelas ruas. Na década de 80, um projeto de US$ 30 milhões transferiu para 20 km de galerias toda a fiação da cidade.

BONS EXEMPLOS

Rebouças

Na avenida da zona oeste, 3,8 quilômetros de fios foram aterrados pela Prefeitura de São Paulo em 2004, após pressão da sociedade civil

Avanhandava

Parte da reforma foi realizada pela Prefeitura nessa rua no centro. Depois, com patrocínio, empresários conseguiram completar a fiação subterrânea

Faria Lima

Apenas alguns quarteirões dessa importante avenida na zona sul estão com a fiação enterrada. O trabalho foi realizado pela Prefeitura

Amauri

Em 2005, cerca de 50 empresas e restaurantes investiram

R$ 1,2 milhão na colocação de fios debaixo das calçadas dessa rua comercial da zona sul

João Cachoeira

Foi a primeira via da capital a enterrar a fiação, em 2003. Os lojistas pagaram R$ 1,8 milhão pelas obras de revitalização da rua na zona sul

Oscar Freire

Centro das grifes internacionais, essa rua da zona sul tem aterramento em quatro quarteirões. Em 2005, um patrocinador investiu R$ 8 milhões nas obras

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