Por inspeção, Tripoli pode deixar o Verde

Depois de negociar com o prefeito eleito Fernando Haddad (PT) sua nomeação à Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente sem o consentimento da direção do PV, o vereador Roberto Tripoli colocou ao governo de transição uma série de obstáculos que praticamente o inviabilizam no cargo.

O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h04

O vereador mais votado de São Paulo disse que era favorável à taxa cobrada pela inspeção veicular, até mesmo para os carros novos - uma das promessas de Haddad foi a de acabar com a tarifa. Em seguida, Tripoli afirmou que não aceitaria o cargo se não tivesse um promotor do Meio Ambiente de sua confiança como secretário adjunto.

As objeções do parlamentar mostram uma mudança repentina de comportamento. Tripoli, ao ser indicado para o cargo no início de dezembro, afirmou que comandar a pasta do Verde era a "coroação" de seu trabalho em defesa do ambiente e dos animais desde os anos 1980. Ele começou a fazer visitas à secretaria e tinha a meta de lançar um plano de adoção de cães e gatos.

Nos últimos dias, porém, começou a espalhar para assessores e jornalistas que talvez não assumiria a pasta. Entre os motivos, declarou que sofreria muita pressão de ambientalistas se fosse o responsável por abolir a inspeção veicular. "Os carros novos também poluem. O que eu vou falar para os meus apoiadores?", perguntou o vereador.

Publicamente, Tripoli nunca quis falar sobre suas razões para declinar do convite. Ontem, ele faltou à sessão da Câmara. Haddad e sua equipe de transição não foram informados oficialmente da desistência. Segundo relato de amigos, vereadores e lideranças do PV, Tripoli teria desistido do cargo ao se assustar com a estrutura da secretaria e o volume de trabalho que teria a partir de 2013. / D.Z.

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