Pôr fogo em ônibus se institucionalizou como protesto

Desde o início do ano vários ônibus foram queimados, principalmente na capital paulista, mas também no Rio, São Luís, Porto Alegre. Por quê?

ANÁLISE: Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2014 | 02h03

A imagem de um ônibus em chamas é bastante impactante. Ela simbolicamente expressa uma revolta, uma quebra da ordem estabelecida. Em alguns casos, o ônibus é queimado em razão de algum problema experimentado por uma determinada comunidade, por exemplo, como uma enchente.

Outras vezes, quando uma pessoa é morta pela polícia. Há situações em que os coletivos são colocados em chamas quando criminosos fogem após praticar um crime e o fazem para desviar a atenção da polícia ou quando organizações criminosas querem amedrontar a população. Pôr fogo em ônibus virou uma forma institucionalizada de se fazer protesto, de chamar a atenção e, algumas vezes, de causar pânico.

O ato também acaba assustando muita gente. Acho legítimo que as pessoas fiquem preocupadas em pegar ônibus agora, afinal, no Maranhão uma criança morreu nessa situação.

Mas não podemos esquecer que o ônibus é um dos poucos serviços públicos que chegam a regiões periféricas da cidade de São Paulo com frequência. Ou seja, eles representam o Estado. O fogo no ônibus é um grito contra um governo que não atende às necessidades das pessoas. As pessoas na periferia que queimam ônibus são em geral menores de idade que são incentivados a agir por membros da região que estão "de saco cheio".

No geral, os problemas de junho não foram resolvidos. Os governos não lidaram com a enxurrada de demandas da população. As manifestações arrefeceram, mas as grandes demandas não foram atendidas e as pessoas continuam tendo problemas, principalmente na periferia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.