Por dia, pelo menos um ciclista morre no Estado de São Paulo

Estudo da Secretaria da Saúde mostra ainda 9 internados diariamente na rede pública por acidentes com bicicleta

CAMILA BRUNELLI, ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h01

Os hospitais públicos do Estado de São Paulo recebem diariamente nove ciclistas vítimas de acidentes de trânsito. Desses pacientes que dão entrada nas instituições, um morre em decorrência dos ferimentos, aponta estudo da Secretaria Estadual da Saúde divulgado ontem.

O levantamento, porém, reflete apenas parte da realidade enfrentada pelos ciclistas. "Há muitos acidentados que desconsideram as lesões e não solicitam cuidados médicos. Se for pensar em todos os lesionados do Estado inteiro, o problema é maior", avalia o médico Hassan Yaffien Neto, do Grupo de Resgate e Atendimento a Urgências (Grau).

De acordo com Yaffien Neto, a maioria das colisões resulta em fraturas, contusões e machucados na pele. Lesões mais graves também são registradas, como traumatismo craniano, de coluna, de tórax ou de abdome. Cerca de 40% dos ciclistas acidentados ficam com alguma sequela, como mobilidade reduzida de uma mão ou de uma perna. "Lesões incapacitantes de imediato (como lesões na medula) são menos frequentes."

Causas. Segundo Yaffien Neto, a causa de acidentes é uma junção de fatores. "O motorista não é culpado de tudo, como se costuma dizer. Muitos ciclistas são imprudentes e pedalam sem usar os equipamentos de proteção ou sinalização." O médico disse que mais de 90% dos atendidos estavam sem capacete.

O diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Thiago Benicchio, discorda de Yaffien Neto e diz que o grande número de acidentes se deve a uma relação desproporcional de pesos e velocidades dos carros e à agressividade dos motoristas. "Só há fiscalização durante o dia e em dias de semana. Ou seja, em uma sexta-feira à noite ou em um fim de semana, que é quando os motoristas correm mais, não há", disse Benicchio.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), no ano passado, assim como em 2010, 49 ciclistas morreram em acidentes de trânsito na capital.

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