Por dia, 280 veículos são apreendidos nas estradas

Nº de apreensões em rodovias de SP cresceu mais de 50% no ano passado, mas total de pátios para recolhimento de carros permaneceu o mesmo

JOSÉ MARIA TOMAZELA , SOROCABA, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2012 | 03h05

Em todo o ano passado, 102.088 veículos foram apreendidos por irregularidades na documentação, falta de equipamentos obrigatórios ou infrações de trânsito nas rodovias paulistas. O número equivale a 280 veículos apreendidos por dia. Em 2010, foram 64.596 apreensões - média diária de 176.

O número de veículos apreendidos cresceu mais de 50%, mas o espaço para o recolhimento não aumentou. O Estado dispõe de apenas 36 pátios credenciados pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para atender a uma malha de 22 mil quilômetros de rodovias. A média é de um pátio para cada 611 km de estradas.

Usuários reclamam do preço cobrado pelas empresas que operam os pátios para a remoção e a guarda dos veículos. Como são distantes entre si, os veículos guinchados acabam seguindo percursos longos e a cobrança é por quilômetro rodado, até um limite de 50 km, ou R$ 212.

Exemplos. O tecnólogo André Luis Zanchetta esqueceu os documentos e teve o automóvel apreendido na Rodovia Bunjiro Nakao, em Ibiúna. Segundo ele, o carro foi guinchado até o pátio de Araçariguama, na Rodovia Castelo Branco. "Tive de pagar R$ 126,12 de taxa do guincho e R$ 195,04 de quilometragem."

Como era um sábado, ele só pôde fazer a retirada na segunda, pois o recolhimento das taxas tem de ser feito no caixa do banco. "Além da perda de tempo e da burocracia, pois é preciso pegar um carimbo da Polícia Rodoviária, ainda morri com mais R$ 123,90 por três diárias no pátio."

A professora Elizete Rolim, de Boituva, teve o carro apreendido por atraso no IPVA e reclama que, durante os quatro dias, o veículo ficou ao ar livre, pois o pátio estava superlotado. Quando fez a retirada, notou que o carro tinha um arranhão no para-choques. "Reclamei com os funcionários, mas disseram que eu tinha de comprovar o estrago."

O consultor de vendas Wellington Ribeiro viajava com a família para passar o feriado da Páscoa em Itararé, no sudoeste paulista, e foi parado em um posto de policiamento rodoviário de Capão Bonito. Ele tinha deixado de renovar a carteira de habilitação e teve o carro apreendido.

Ribeiro conta que ficou na estrada com a mulher, que não dirige, uma filha e a neta, de colo. "Não conseguia contato com outros familiares e precisei implorar para os policiais nos levarem até a cidade." Duas horas depois, uma viatura deixou a família na rodoviária de Capão Bonito. O carro foi levado para o pátio de Itapetininga, a 55 km.

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