João Ker/Estadão
João Ker/Estadão

Supermercados têm aumento no movimento por causa do receio do novo coronavírus e apostam em entrega

Lojas do Estado de São Paulo registraram aumento nas vendas de até 40%, mas entidades do setor negam desabastecimento e querem estimular clientes a comprar pela internet.

Gonçalo Junior e Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 11h00

SÃO PAULO - Diante da pandemia do novo coronavírus e do avanço da doença no Brasil, muita gente está aumentando a ida aos supermercados. De acordo com a Associação Paulista de Supermercados (Apas), no Estado houve um aumento de 8,5% nas vendas no último fim de semana, mas a movimentação em algumas lojas chegou a ser 40% maior.Os itens mais buscados foram comida congelada, papel higiênico e produtos de higiene, e álcool em gel, este último com os estoques esgotados.

Os dados são de uma pesquisa feita pela associação, entre 13 e 15 de março. Os números absolutos, não divulgados, foram comparados com o fim de semana entre 14 e 16 de fevereiro, por ser um fim de semana anterior com as mesmas características (sem feriados prolongados). "O aumento é efeito do coronavírus", disse Ronaldo dos Santos, presidente da Apas.

Segundo ele, mercados do interior do Estado tiveram crescimento na vendas menor, de 2%. "O aumento foi nos centros urbanos", diz. Os resultados da pesquisa foram levados ao Palácio dos Bandeirantes, em uma reunião solicitada pelo governo para monitorar o abastecimento do Estado, serviço tido como essencial, mas que é prestado pela iniciativa privada, diferentemente de saúde, segurança pública e saneamento.

O presidente da Apas afirmou que o crescimento registrado neste fim de semana não pressionou os estoques dos centros de distribuição das redes. "O papel higiênico, por exemplo, ocupa muito espaço nas prateleiras. Ele acaba rápido e tem abastecimento diário", disse, ao afirmar que a reposição está sendo feita sem transtornos. Ao governo do Estado, os mercados se comprometeram a usar os tabloides que as redes imprimem, com ofertas, para repassar informações sobre a doença à população. "É uma comunicação confiável, uma vez que tem 'assinatura' do supermercado (a marca impressa no papel)."

Neste começo de semana, o movimento era grande em mercados da capital paulista. A filial do supermercado Giga Atacado, no bairro do Limão, apresentava tempo médio de espera entre duas e três horas na noite desta segunda-feira, 16. Com fechamento da loja previsto para 22h30, era possível ver pelo menos cinco caixas ainda em atendimento por volta de 1h da terça-feira, 17, cada um com pelo menos cinco clientes e carrinhos lotados.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirma que tem monitorado as lojas do país, nega problemas de desabastecimento, mas reconhece problemas de reposição devido ao maior número de clientes em algumas unidades, no final de semana. “Essa situação se concentrou mais em supermercados da capital paulista e em bairros das classes A e B”, diz nota da entidade.

Vendas online

No esforço coletivo de várias entidades para tentar controlar a disseminação pelo novo coronavírus, o setor de supermercados vai apostar nos serviços de entrega a domicílio para evitar aglomerações. No entanto, com a alta demanda, os prazos de entrega estão maiores. A Apas e a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) já estimulam os serviços de entrega de compras em casa. A entidade carioca cogita até suspender as taxas cobradas separadamente para esse serviço.

Nessa modalidade de serviço, os consumidores escolhem os produtos pela internet e recebem a compra em casa. O supermercado cobra uma taxa adicional de acordo com o prestador de serviço contratado para as entregas. “As compras online e os serviços delivery certamente são bastante adequados. É uma boa alternativa e, quem tiver possibilidade de realizar esse tipo de compra, é muito bom. Nós até recomendamos que nossos associados fortaleçam esse canal de distribuição”, diz Ronaldo Santos, presidente da Apas, que abrange cerca de 1500 associados e quatro mil lojas.

Fábio Queiroz, presidente da Asserj, que reúne 400 empresas e 1500 lojas, afirma que o desafio do setor será manter os prazos de entrega mesmo com o aumento da demanda. Hoje, quem compra pela internet recebe as compras em casa no prazo de duas a três horas. Queiroz afirma que alguns estabelecimentos já pedem três dias para entregar o pedido. “Nós identificamos um aumento significativo da demanda dos serviços de delivery nos últimos dias. Teremos de manter os prazos de entrega em níveis aceitáveis. Esse é o desafio”, alerta. / COLABOROU JOÃO KER

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