FABIANA CAMBRICOLI/ESTADÃO
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Por causa de greve de ônibus, doméstica quase perde hemodiálise

Marli Neide Azevedo dos Santos, de 58 anos, teve de esperar por mais de 1h na ida e na volta

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 21h59

SÃO PAULO - As já incômodas três sessões de hemodiálise pelas quais a doméstica Marli Neide Azevedo dos Santos, de 58 anos, tem de passar todas as semanas ficaram ainda mais difíceis nesta quinta-feira, 22, com a greve de ônibus em Osasco.

Com o atendimento marcado para as 7h, no Hospital Regional de Osasco, Marli e o marido, Eustáquio Santos, foram para o ponto de ônibus do bairro Munhoz Junior, onde moram, às 4h40, para garantir que haveria tempo de sobra para chegarem à unidade de saúde. "Só que, às 6h, o ônibus ainda não tinha passado e ficamos com medo de perder a sessão. Ela não pode ficar sem fazer (a hemodiálise)", diz Eustáquio.

Após 1h20 no ponto, o casal conseguiu entrar em contato com o filho, que deu uma carona para os dois até o hospital. O retorno para casa, porém, seria outra dificuldade.

O atendimento médico terminou às 10h30, mas já passava do meio-dia quando o casal ainda esperava o ônibus da Viação Urubupungá no ponto perto do hospital. "O pior é que eu não estou me sentindo bem. Depois da sessão, sempre sinto uma fraqueza, parece que minha pressão cai", dizia Marli, que, além do problema renal, tem deficiência visual e precisa da ajuda do marido para se locomover. "Nem dá para pedir para meu filho vir buscar porque agora ele está trabalhando", contou a doméstica.

Com renda de um salário mínimo e sem condições de bancar um táxi, o casal contava com a sorte para chegar em casa.

"A gente nunca pegou táxi. Acho que deve dar uns R$ 50 até em casa. Mas a gente está durinho, vive com o dinheiro contado. Mas tem hora que passa uns ônibus aqui. Quem sabe passa o nosso", dizia Eustáquio.

Táxi clandestino. No centro da cidade, os pontos de ônibus reuniam, na tarde desta quinta-feira, aglomerados de passageiros que esperavam, também havia horas, por um coletivo passar.

Moradora do Jardim Bonança, a operadora de caixa Daniela Souza de Amorim, de 27 anos, não sabia como voltaria para casa após ir ao cartório do centro da cidade emitir um documento. "Para vir, eu tive de pegar um táxi clandestino. Um carro passou no ponto de ônibus dizendo que levaria os passageiros para o centro por R$ 10 cada um", conta ela, que aceitou pagar a quantia depois de esperar por três horas no ponto por um coletivo da Urubupungá.

"Os trabalhadores podem protestar, mas, mesmo assim, acho um absurdo prejudicar a população desse jeito. Eu vim resolver uma coisa no cartório, mas tem gente que perdeu médico, consulta, tudo por causa dessa greve. Não é justo", disse Daniela.

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