Por casamento, noivos vendem água na Marcha para Jesus em SP

Precisando de R$ 30 mil para casar, jovem casal evangélico tem menos de um terço do orçamento garantido; ideia era arrecadar pelo menos R$ 2 mil durante o evento na zona norte

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2016 | 22h32

SÃO PAULO - Os noivos Aline Oliveira e Augusto César Guimarães são evangélicos, têm 24 anos e, fizeram os cálculos, precisam de R$ 30 mil para casar. Com menos de um terço do orçamento garantido, tiveram uma ideia: vender água na 24ª Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira, 26, na zona norte da capital paulista.

Os dois moram na Grande São Paulo - ela, em Santo André; ele, em Guarulhos - e acordaram às 4h da manhã para chegar cedo na Praça dos Heróis da FEB, em Santana. Uma multidão era aguardada no local para uma série de cultos e apresentações de artistas gospel.

"A gente planejou tudo há muito tempo. Queria aproveitar a quantidade de pessoas quem vêm para a festa", diz Aline, que foi pela primeira vez à marcha. Junto com o casal, vieram três amigos e o pai do garoto. "Pelo amor de Deus, ajudem meu filho a casar!", gritava com duas garrafas de 500 ml de água nas mãos.

O grupo chamava atenção das pessoas, que paravam para tirar fotos e fazer perguntas aos noivos. Aline atendia a todos com simpatia e usava uma placa pendurada no pescoço, com a frase "quero casar com ele" escrita ao lado de um seta que apontava para Guimarães. O jovem, por sua vez, exibia uma placa semelhante, mas escrito "ela" em vez de "ele" e a seta desenhada no sentido contrário.

A jovem conta que os dois começaram a namorar há menos de dois anos. "A gente trabalhou na mesma empresa mas só foi se conhecer mesmo por Facebook. Mandei uma mensagem perguntando de qual igreja ele era", diz. "Depois de quatro anos sem se falar, ela me mandou um recado 'despretensioso' e eu estava disponível", brinca Guimarães. "Fui eu que tomei a iniciativa. Bem, era um gatinho, né?", ri Aline.

Curiosidade. Evangélicos que viam a cena demonstraram curiosidade pelo casal. "A gente orou junto por mais de um mês, antes de ficar", respondeu Aline a um jovem que questionou os "hábitos cristãos" dos dois, antes de se tornarem noivos.

A ideia era arrecadar pelo menos R$ 2 mil durante o evento, vendendo cada garrafinha por R$ 3. Apesar de a organização ter anunciado 3 milhões de participantes nesta edição, porém, os fiéis pareciam pouco dispostos a gastar. "A venda não está tão boa quanto a gente pensava", disse Guimarães, que ja havia trabalhado como vendedor na Marcha de 2015. A concorrência de outros ambulantes também não ajudou: em geral, água saía por R$ 2. "Tivemos de baixar o preço."

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