Por arena de 45 mil pessoas, Palmeiras promete alargar Francisco Matarazzo

Clube faz acordo com Prefeitura para, até 2012, construir faixa na avenida, reformar Viaduto Antártica, plantar árvores e sinalizar ruas

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 00h00

  

Torcedores passarão a entrar apenas pela Francisco Matarazzo

 

Alargar em um metro a Avenida Francisco Matarazzo, reformar o Viaduto Antártica, plantar 1.100 mudas de árvores e melhorar a sinalização de 22 ruas. São as obras que a Sociedade Esportiva Palmeiras terá de realizar nos próximos dois anos na Vila Pompeia, zona oeste de São Paulo. Até agosto de 2012, o clube pretende dobrar a capacidade de seu estádio com a construção de uma arena multiuso para 45 mil pessoas - um projeto de R$ 300 milhões.

Nesse mesmo período, a WTorre, concessionária do empreendimento, terá de investir R$ 6 milhões em contrapartidas viárias e ambientais exigidas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e outras secretarias municipais. Assinada pelo ex-secretário de Transportes Alexandre de Moraes, a certidão de diretrizes da obra foi emitida em 20 de abril. Dias depois, o clube começou a reformar sua área social, incluindo demolição de quadras de tênis e fechamento do estádio para jogos. Em agosto, começarão as obras externas.

Para minimizar o trânsito no entorno, o Palmeiras terá de fazer, entre outras intervenções, a reconfiguração da Praça Marrey Júnior, na esquina da Avenida Sumaré com a Rua Turiaçu, o alargamento da Rua Padre Antônio Tomás e a revitalização da Passarela Arrancada Heroica de 1942. Se não cumprir as medidas, o clube não receberá licença de funcionamento da arena.

A principal obra, no entanto, será o alargamento da Francisco Matarazzo. Em 500 metros de extensão, entre os Viadutos Antártica e Pompeia, a via terá quatro faixas, em vez das três atuais. A exigência da Prefeitura é para evitar o estrangulamento da principal ligação do eixo Lapa-Pompeia com o centro. Ali, o trânsito é complicado em dias de jogos, eventos e horários de pico.

 

 

"Temos dois anos para fazer tudo o que o governo pediu. Não vamos fazer tudo de uma vez para não atrapalhar o trânsito", afirma José Cyrillo Júnior, diretor do clube.

Desde janeiro, associações da Lapa e da Pompeia cobram da Prefeitura as contrapartidas do Palmeiras para o trânsito dos dois bairros. Moradores reclamam que o governo municipal deveria ter exigido do clube a construção do prolongamento da Avenida Auro Soares de Moura Andrade até a Rua Carlos Vicari, o que seria uma opção à Francisco Matarazzo para os motoristas em dias de jogos e shows.

As associações também pedem a construção pelo clube de um piscinão no entorno do estádio, como fez o Shopping Bourbon. A Rua Turiaçu, em frente ao Parque Antártica, inundou 14 vezes entre setembro e março. "Vai ser um inferno em dias de jogo. Os dois bairros (Lapa e Pompeia) ficarão isolados quando tiver futebol", alerta a advogada Maria Antonieta Lima e Silva, presidente da Associação de Amigos da Vila Pompeia.

Cyrillo Júnior considera equivocada a reclamação dos moradores. "Vamos disponibilizar uma garagem de 1.250 vagas para ser usada durante toda a semana, não só em dia de jogo. E suprimir uma parte da nossa calçada e do próprio clube para alargar a Matarazzo. Também vamos mudar a configuração da Praça Marrey Júnior para facilitar o acesso à Turiaçu, que não terá mais entrada de torcedor. A arena será benéfica para o tráfego do bairro em geral", garante.

DUAS PERGUNTAS PARA...

Luiz Gonzaga Beluzzo

Presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras

1. Como vai ser o alargamento da Francisco Matarazzo?

A avenida vai até entrar um pouco dentro do clube e vamos refazer toda a calçada antes do cruzamento com a Avenida Sumaré. A entrada pela Turiaçu não vai existir mais. E vamos ter uma garagem para 1.250 veículos para também ser usada fora dos dias de jogos.

2. O que o senhor acha das reclamações dos moradores do bairro em relação à obra?

O Palmeiras já existe, não é um novo shopping que vai surgir no bairro. Não haverá mudanças para os moradores. E nosso impacto, que já é muito menor, será resolvido pelas obras que realizaremos a pedido da CET.

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