Por 25 anos, o dono dos carnavais mais aplaudidos

Análise: Fábio Grellet

O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2011 | 03h02

Por mais de 25 anos, Joãosinho Trinta não só promoveu as exibições mais aplaudidas e surpreendentes da Sapucaí como consolidou características que tornaram mundialmente conhecido o desfile das escolas de samba do Rio. Desde sempre, para João, desfile era um luxuoso e gigantesco espetáculo teatral. "Já cumpri minha missão", disse ele a este repórter, enquanto era homenageado no carnaval de 2010. Suas inovações continuarão norteando desfiles. Foi de João, por exemplo, a ideia de pôr destaques sobre carros alegóricos, que até então passavam vazios pela avenida.

Quando informou aos destaques que eles não desfilariam mais no chão, João era um carnavalesco estreante - preparava o desfile de 1974 do Salgueiro - e houve protestos. Ganhou aquele carnaval e, passados quase 40 anos, hoje as vagas de destaque em carros alegóricos são as mais disputadas do desfile, perdendo apenas para a de rainha de bateria.

Em 1975, a inovação começou no enredo. Uma regra obrigava as escolas tratar apenas de temas brasileiros. Pois João levou à avenida O Segredo das Minas do Rei Salomão para mostrar que súditos do rei haviam visitado a Amazônia. O carnavalesco criou uma fantasia histórica para unir lendas e concluir, afinal, que as minas do rei eram a própria floresta. Concorrentes pediram a desclassificação do Salgueiro, mas jurados aceitaram a viagem de João e lhe deram o bicampeonato.

Em 1976, João mudou para a Beija-Flor, então uma escola pequena. Desde 1937, só quatro escolas haviam sido campeãs (Mangueira, Portela, Império Serrano e Salgueiro). Numa época em que fantasias e alegorias eram feitas sob viadutos, o bicheiro e patrono da escola Aniz Abraão David (que na semana passada teve prisão decretada) deu um barracão para João trabalhar. E se comprometeu a criar projeto social para crianças da comunidade. João aceitou desenvolver enredo exaltando o jogo do bicho, representado em carros alegóricos gigantes, com animais que faziam movimentos, outra inovação. Anos depois, no entanto, ao criar enredos patrocinados, acabou encontrando uma saída financeira para reduzir a dependência dos bicheiros.

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