População tenta barrar construção de aterro em Sorocaba

Moradores temem mau cheiro, animais nocivos, trânsito de caminhões e a possível contaminação dos poços

José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo,

17 de março de 2008 | 21h17

Moradores do distrito de George Oetterer, em Iperó, a 125 km de São Paulo, preparam manifestações de protesto contra o projeto da prefeitura de Sorocaba que prevê a construção de um aterro sanitário próximo da divisa entre as duas cidades.  De acordo com a moradora Cíntia Garcia Mesquita, a região tem mais de 15 mil habitantes que serão afetados pelo depósito diário de 400 toneladas de lixo doméstico. Segundo ela, os moradores temem o mau cheiro, a presença de animais nocivos, o trânsito de caminhões e a possível contaminação dos poços artesianos que abastecem a população.  A prefeitura já protocolou o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (Eia-Rima) no Departamento de Análise de Impacto Ambiental (Daia) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. A audiência pública, uma das fases do processo de licenciamento, foi marcada para o dia 6 de maio, no Teatro Municipal de Sorocaba. Até lá, os moradores pretendem realizar passeatas e manifestações. "Se for necessário, iremos à justiça", disse a moradora.  No final de fevereiro, cerca de 100 pessoas fizeram uma marcha de 5 quilômetros em protesto contra o aterro. A mobilização teve a adesão de moradores de bairros de Sorocaba que também seriam afetados pelo aterro, entre eles o Vivendas do Lago, um condomínio de alto padrão. Os moradores alegam que a prefeitura poderia optar pelo depósito do lixo em um aterro privado, em fase de instalação no município de Iperó.  De acordo com os organizadores das manifestações, o local escolhido pela prefeitura de Sorocaba, a Fazenda Rius, no bairro Ipatinga, está na zona de amortecimento da Floresta Nacional de Ipanema (Flona), administrada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em 2004, a Flona deu parecer contrário à instalação alegando os "significativos impactos ambientais que serão gerados pelo empreendimento", entre eles a contaminação de áreas de preservação permanente e corpos d'água. O parecer levava em conta, ainda, a interferência no ecossistema da unidade de conservação e o risco de contaminação da fauna.  Após nova análise, no entanto, a administração da Flona fez uma revisão no parecer pela viabilidade do empreendimento. A prefeitura pretende concluir a obra até o final de 2009, quando praticamente se esgota a capacidade do aterro atual, localizado no Retiro São João, zona norte de Sorocaba. A expectativa é de que o novo aterro atenda a cidade por 30 anos. A prefeitura alega que tem poucas opções de áreas no município para o novo aterro e que as exigências ambientais serão atendidas. Uma empresa será contratada para administrar o empreendimento.

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