Ponte perigosa em estrada de MG é fechada

Meio século e centenas de acidentes depois, os motoristas na BR-040, entre Belo Horizonte e Rio, não vão mais enfrentar, no km 592, o Viaduto Vila Rica, mais conhecido por seu nome antigo, Viaduto das Almas. O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, inaugurou no fim do mês passado o Elevado Márcio Rocha Martins, que substituiu a ponte em curva erguida em 1957, a 60 km da capital mineira. O projeto é de 1998, mas a construção começou só em 2006.

Eduardo Kattah, Marcelo Portela / BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2010 | 00h00

A estimativa é que pelo menos 200 pessoas tenham morrido no Viaduto das Almas nesses 53 anos. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), além da estrutura inadequada, a imprudência dos motoristas contribuía para os acidentes. A maior tragédia foi em 2 de agosto de 1969: um ônibus leito da Viação Cometa, que havia deixado o Rio em direção a Belo Horizonte, bateu na mureta de proteção, que não resistiu ao impacto. O veículo caiu e 30 pessoas morreram.

Cerca de 15 mil motoristas usavam o viaduto diariamente, um fluxo muito maior do que o previsto originalmente. O novo pontilhão foi construído para receber um fluxo de 20 mil veículos por dia, com área de escape e mureta de proteção maior. A estimativa é que o custo total da obra tenha sido de R$ 60 milhões.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não prevê a demolição do Viaduto das Almas e diz que uma das possibilidades é a transformá-lo em um monumento.

Vidas. No dia 20 de julho de 1958, o pai da dona de casa Maria de Lourdes Alves de Resende, de 51 anos, ia da casa da família em Entre Rio de Minas para Belo Horizonte. Na metade do caminho, o Ford de José Alves de Resende foi atingido por uma carreta e arremessado da ponte. Foi o primeiro acidente com mortes no viaduto. "Minha mãe estava grávida de mim, no primeiro mês", disse Maria de Lourdes.

Por pouco o jogador de futebol Dirceu Pantera, hoje com 75 anos, também não foi vítima de um acidente que matou 14 pessoas no viaduto. Em 12 de setembro de 1967, ele perdeu o último voo do Rio para Belo Horizonte e teve de ir de ônibus. "Fui para a rodoviária, comprei passagem, mas fiquei conversando e perdi o ônibus." Pantera pegou o táxi para alcançar o veículo na estrada, mas o pneu furou.

Dirceu só descobriu que o ônibus havia caído do viaduto ao chegar a Belo Horizonte, no dia seguinte. "Contei para minha família e eles nem acreditaram. Mas eu estava com a passagem, que ainda guardei por muitos anos", conta o ex-jogador.

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