Ponte ligará Santo Amaro e Panamby

Obra integra pacote de R$ 2,3 bilhões firmado ontem, que inclui túnel até Imigrantes, remoção de favelas e o maior parque linear de SP

DIEGO ZANCHETTA, RODRIGO BRANCATELLI, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2011 | 03h03

Um novo anel viário sobre o Rio Pinheiros ligando os bairros de Santo Amaro e Panamby, um túnel de 2,4 km do Brooklin até a Rodovia dos Imigrantes, a remodelação da Avenida Chucri Zaidan e a construção do maior parque linear de São Paulo fazem parte de um pacote de obras cujos contratos foram firmados ontem pela Prefeitura. No total, elas custarão R$ 2,32 bilhões e incluem também a maior remoção de favelas da história da cidade - 16 ocupações onde hoje vivem 40 mil pessoas vão desaparecer.

A maior obra das duas gestões do prefeito Gilberto Kassab (PSD) será executada a partir do ano que vem pelas cinco maiores empreiteiras do País. Os nomes das empresas vencedoras dos cinco lotes da megaobra foram divulgados ontem: OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Construbase Engenharia.

A intervenção ocorre em uma parte nobre da zona sul que já ganhou a Ponte Octavio Frias de Oliveira e tem obras da Linha 5-Lilás do Metrô cortando o Brooklin e o Campo Belo. Agora, a Avenida Chucri Zaidan será alargada e ampliada da altura do MorumbiShopping até a Avenida João Dias - vai ganhar quatro faixas em cada sentido. Serão 3,1 km a mais de vias, além da requalificação de ruas no entorno.

Entre a Rua Fernandes Moreira e a Praça Embaixador Sírio Freitas Vale, a nova avenida terá um túnel de 600 metros de extensão. Após a saída da passagem subterrânea, será feita uma ligação para uma nova ponte, chamada de Burle Marx, que terá duas mãos de direção e vai desembocar no Parque Burle Marx, no Panamby.

Moradores da região já se mostraram contra a obra por considerá-la uma ameaça a uma das poucas áreas verdes que restam na região, uma vez que as alças ficarão sobre parte do Parque Burle Marx. Para todas essas mudanças na região, a Prefeitura calcula que será preciso desapropriar 117 imóveis residenciais e 65 imóveis comerciais, incluindo postos de gasolina, casas e prédios residenciais.

Melhorias. Todos os projetos estavam embutidos na Operação Urbana Água Espraiada, que deve usar o valor arrecadado em contrapartidas com o mercado imobiliário para melhorar a infraestrutura de bairros. A Ponte Octavio Frias de Oliveira, por exemplo, foi erguida com o dinheiro pago pelos prédios que surgiram na região nos últimos anos. A conta corrente da operação dispõe atualmente de R$ 924 milhões.

A maior obra do pacote será a tão prometida ligação entre a Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Rodovia dos Imigrantes, no Jabaquara. Em 2001, o projeto do túnel dentro da Operação Urbana Água Espraiada tinha 400 metros. A extensão foi alterada em 2008 para 2,4 km. Para construí-lo, cerca de 40 mil pessoas em 16 favelas terão de ser removidas ao longo de cinco bairros - Parque Jabaquara, Vila Facchini, Vila do Encontro, Cidade Vargas e Cidade Leonor.

Na ampla área sobre o futuro túnel da Roberto Marinho vai ser criado um parque com 600 mil m². Ele será entrecortado por ruas destinadas ao trânsito dos bairros e terá áreas verdes para aumentar a permeabilidade do solo, além de lagos feitos a partir do represamento do Córrego Águas Espraiadas, o que deve facilitar o escoamento da chuva na região. Conjuntos habitacionais para cerca de 5 mil famílias ainda serão construídos no local - cerca de 10% do valor do projeto deve ser destinado à construção de moradias.

A Prefeitura também pretende desapropriar 53 lotes no eixo Brooklin-Campo Belo para fazer o alargamento da Roberto Marinho ao longo dos seus 5.100 metros. As remoções atingem 107,6 mil metros quadrados, área equivalente ao tamanho do Parque da Água Branca, na zona oeste. Também poderão ser removidos galpões com 10 mil metros quadrados e sobrados em terrenos com 400 m².

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.