Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Ponte Euclides da Cunha será reaberta

Passagem foi construída pelo escritor no início do século 20 e passou por restauro de R$ 1,2 mi

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 18h57

SOROCABA - Os moradores de São José do Rio Pardo, região nordeste do Estado de São Paulo, a 257 km da capital, recebem de volta amanhã mais do que uma importante ligação entre as duas partes da cidade, cortada pelo rio. Será entregue totalmente restaurada a lendária Ponte Euclides da Cunha, construída pelo escritor entre 1898 e 1901, quando o autor de Os Sertões escrevia sua obra mais famosa. O governo estadual investiu R$ 1,2 milhão durante dois anos para recuperar toda a estrutura metálica que, deteriorada, ameaçava ruir. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) vai à cidade para a entrega da obra.

Com 100 metros de extensão por 6,60 de largura, a ponte teve substituída a parte da estrutura metálica desgastada e foi pavimentada com concreto armado. O passeio de pedestres recebeu piso de ladrilho hidráulico e as cabeceiras foram recapeadas. A ponte e o entorno ganharam iluminação. Por se tratar de monumento tombado desde 1986, as obras realizadas pela prefeitura local foram acompanhadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), órgão da Secretaria da Cultura.

Durante os trabalhos foi preciso “envelopar” a estrutura com lonas para proteger o Rio Pardo contra possíveis danos ambientais. De acordo com a coordenadora de preservação do patrimônio histórico do Estado, Valéria Rossi, o escritor Euclides da Cunha, na época engenheiro do Departamento de Obras Públicas do Estado, se ofereceu para reconstruir a ponte, depois que a estrutura original recém construída desabou, em 1897. Ele havia participado da fase inicial dessa obra e ficou intrigado com o acidente. Ao assumir a reconstrução, produziu um relatório minucioso, apontando falhas no estudo geológico, que resultaram na rachadura de um dos pilares. 

O engenheiro recuperou a estrutura metálica, importada da Alemanha, das águas do Pardo e iniciou a reconstrução 60 metros acima do ponto original. “Como o recurso para a obra já tinha sido gasto, ele conseguiu material remanescente de outras pontes para refazer as fundações”, conta Valéria. Ao longo dos três anos, numa cabana construída ao lado das obras, Euclides da Cunha escreveu sobre a Guerra de Canudos (1896-97) para o jornal O Estado de S. Paulo, com textos que resultaram no livro Os Sertões, sobre as incursões do Exército contra o Arraial de Canudos, no interior da Bahia, até a extinção da comunidade liderada por Antônio Conselheiro.

Internet. O projeto de restauro foi analisado durante três anos pelo Condephaat. Moradores da região mobilizaram-se pela internet para pressionar as autoridades. Uma ação do Ministério Público Estadual obrigou a prefeitura e o Estado a providenciar a restauração. Em março de 2012, o governo estadual anunciou a liberação de verba para a prefeitura de São José do Rio Pardo contratar a obra. A ponte será reaberta ao tráfego, mas com restrições de peso. 

O objetivo da prefeitura é inserir o monumento em um contexto turístico. Além de ser “obra irmã” de Os Sertões, a ponte foi feita para escoar a produção cafeeira da região e do sul de Minas pela estrada de ferro Mogiana.

QUEM FOI: EUCLIDES DA CUNHA (1866-1909)

A convite do diretor de ‘A Província de S. Paulo’ (hoje ‘O Estado de S. Paulo’), Julio Mesquita, Euclides da Cunha começou a escrever para o jornal em 1888. A pedido de Mesquita viajou para Canudos e escreveu os textos que originaram ‘Os Sertões’. Eleito para a Academia Brasileira de Letras, acabou morto pelo amante da mulher em 1909.

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