Andre Lessa/AE
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Ponte estaiada do Tietê ainda não atrai veículos

Via de R$ 85 milhões deveria receber 20 mil carros por dia, e é usada por 10 mil; motivo é lentidão em Avenida do Estado, onde começa a travessia

Felipe Tau / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2011 | 00h00

Inaugurada com atraso há um mês em meio, a Ponte Estaiada Governador Orestes Quércia, que liga a Avenida do Estado à Marginal do Tietê, está subutilizada. A via hoje recebe 10 mil carros por dia, a metade da demanda prevista.

A Prefeitura afirma que, na hora mais movimentada, a ponte recebe 850 veículos, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Segundo especialistas em trânsito, padrões internacionais de medição de tráfego apontam que a hora pico de uma via representa de 8% a 14% da circulação no dia. Ou seja, o fluxo na Orestes Quércia estaria entre 6 mil e 10,6 mil veículos.

Uma medição da reportagem feita na sexta-feira entre as 8h20 e 8h50 confirma a subutilização: 222 veículos passaram por ali no período, o que levaria a média diária a 10,6 mil veículos por dia, se mantido o fluxo constatado no horário de pico da manhã.

Erguida ao custo de R$ 85 milhões, a ponte foi a última obra a ser entregue como parte da ampliação da Marginal do Tietê. Aberta ao tráfego em 27 de julho, a travessia serve aos motoristas como uma ligação direta da Avenida do Estado à Marginal, no sentido Castelo Branco.

Uma das causas que inibiriam o uso da nova ponte, apontada por motoristas e especialistas em trânsito, é a rota de semáforos da Avenida do Estado.

"Vale mais a pena rodar mais e pegar a Avenida Cruzeiro do Sul do que ficar parado no trânsito", afirma o bispo evangélico Ovídio Prudente, de 51 anos.

Prudente conta que, quando vai pela Cruzeiro do Sul, leva cinco minutos até a Marginal do Tietê. Pela ponte estaiada, afirma levar até 15 minutos, embora o trajeto seja 1,4 km mais curto.

"Se ela viesse de uma via expressa, tudo bem. Mas a Avenida do Estado é toda parada, cheia de semáforos", diz o consultor em engenharia de tráfego Horácio Augusto Figueira. "Com esse dinheiro, daria para construir um corredor de ônibus de 10 km para 300 mil pessoas/dia."

Para Flamínio Fichmann, ex-técnico da CET, é preciso mais tempo para avaliar os impactos da ponte. Ele crê, porém, que as novas obras viárias da cidade poderiam ter melhor divulgação.

A Secretaria de Comunicação da Prefeitura informa que "a CET está efetuando a readequação nos tempos dos semáforos para aumentar a fluidez no trânsito" da região. Na nota, não é explicado se essa medida está relacionada ao tráfego na ponte.

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