Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Ponte do Jaguaré segue interditada nesta segunda-feira

Prefeito Bruno Covas afirmou que o laudo sobre as condições da Ponte do Jaguaré deve ser entregue ainda nesta segunda-feira; estrutura está interditada desde incêndio na última sexta-feira, 21. Ponte da Cidade Universitária é alternativa de rota

Ana Paula Niederauer, Gilberto Amendola e Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2019 | 09h04
Atualizado 24 de junho de 2019 | 14h49

SÃO PAULO - A Ponte do Jaguaré, na zona oeste da capital, continua fechada nesta segunda-feira, 24.  O local foi interditado na sexta-feira, 21, após um incêndio na parte de baixo da estrutura. Atualmente, a ponte está liberada somente para uso por pedestres e ciclistas. A Prefeitura de São Paulo deve definir nesta segunda se mantém o bloqueio na Ponte do Jaguaré.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), neste primeiro dia útil após o incêndio, às 9h, a cidade de São Paulo apresentava 81 km de lentidão, sendo a região oeste da capital com 36 km de congestionamento.

O prefeito de São Paulo Bruno Covas ( PSDB) afirmou que o laudo sobre as condições da Ponte do Jaguaré deve ser entregue ainda nesta segunda-feira - e, portanto, definir se a ponte permanecerá fechada ou em que condições será reaberta ( totalmente ou parcialmente).

Até o momento, apenas 7 famílias  (de um total de 50) aceitaram o “auxílio aluguel” para deixar  o local. “O que não podemos fazer é furar a fila da Cohab. São mais de 130 mil pessoas nessa fila. Algumas delas, possivelmente, em piores condições do que aquelas que sofreram o incêndio na ponte do Jaguaré. A prefeitura está no local prestando assistência e encaminhando as famílias para os centros de acolhimento”, disse o prefeito.

De acordo com a prefeitura são mais de 100 centros de acolhimento em São Paulo. Atualmente, os números da Prefeitura indicam cerca de 800 famílias vivendo embaixo de pontes ou viadutos na cidade.

Segundo o engenheiro civil, Luiz Otávio Rosa, porta-voz do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias em Engenharia de São Paulo (Ibape/SP), o grande problema das ocupações irregulares sob pontes e viadutos é justamente não saber quais são os tipos de materiais presentes nos locais.

"Se fosse uma ocupação regularizada, autorizada como uma ONG, uma instituição por exemplo, a Prefeitura deve e pode exigir que ela tenha medidas preventivas para conter ou para não ter o incêndio", disse Rosa.

Para Rosa, a ocupação irregular é um problema social. "A interrupção do tráfego traz consequências para cidade. É um caos com certeza", lamenta Rosa.

"Recomendo que haja uma fiscalização sobre as ocupações sob os viadutos. Se for irregular tem que dar uma solução. Agora, se remove, como remove, aí é um problema social. O importante é ter uma fiscalização para que não haja essa ocupação irregular", disse Rosa.

Famílias desalojadas

Desalojados após um incêndio, moradores acampados provisoriamente em uma praça em frente ao local recusam a oferta de vagas em albergues da cidade. Eles pedem que a subprefeitura consiga um lugar que possa abrigar toda a comunidade.

Funcionários da Prefeitura no local tentam convencer as pessoas a abandonar o acampamento. O alojamento dos moradores em albergues seria uma solução provisória, segundo os representantes da Secretaria de Assistência Social no local, até que o pagamento de Bolsa Aluguel seja viabilizado. 

"O albergue só abre à noite, nós precisamos de um lugar pra ficar", reclama o líder comunitário Francisco Benjamin, de 58 anos, o Zé do Bode. "Não tem condição de nós ficar com criança em albergue."

Os moradores ainda querem a garantia de vagas em moradias populares da Prefeitura. As assistentes sociais disseram que não podem se comprometer com a reivindicação, que é da alçada da Secretaria de Habitação. Por volta das 11h, quando os assistentes cobravam com as lideranças do acampamento, não havia representantes da Habitação.

"Se a Prefeitura quer, ela se move e consegue. Vocês têm lugares parados, galpões, que podemos ocupar", disse o morador Alexandre Pacheco dos Santos, de 47 anos, em uma discussão com assistente sociais. 

"A gente quer ficar todo mundo junto. Somos uma unidade, uma comunidade. Ninguém vai nos separar."

Funcionários da Prefeitura no local disseram aos moradores que vão levar as reivindicações à gestão municipal. A maior parte dos acampados trabalha com artesanato de madeira, com matéria prima que vem das caixas do CEASA. Moradores reclamam que um incêndio ocorreu no mesmo local em 2017, e o benefício da Bolsa Aluguel durou poucos meses, na ocasião.

"Tivemos que voltar para debaixo da ponte", conta a moradora Gevane Nascimento, de 53 anos". "Se eles tivessem evitado há dois anos, não tinha acontecido isso hoje."

Outra reclamação é que os colchões e cestas básicas, prometidos pela Prefeitura, não chegaram ao local. Uma supervisora da Secretaria da Assistência Social no local, que pediu para não ser identificada, recolocou que os insumos não chegaram pois a Prefeitura não pode "chancelar" o acampamento irregular na praça. "Aqui não vai dar para ficar. É com essa orientação que eu vim aqui hoje", disse a supervisora ao Estado.


Ponte Cidade Universitária é alternativa

Os motoristas que trafegam na Avenida Queiroz Filho, no sentido bairro, e estão sendo desviados para a Marginal do Pinheiros, sentido Castello Branco. Como alternativa, os veículos no sentido bairro têm ainda a Ponte Cidade Universitária para chegar à região do Jaguaré e Butantã. Já para os condutores que seguem no sentido Lapa, de acordo com a Prefeitura, o desvio é pela Marginal do Pinheiros, sentido Interlagos. 

Treze linhas de ônibus tiveram o itinerário alterado por causa da interdição

As 13 linhas de ônibus com itinerário que inclui a Ponte do Jaguaré continuam com o percurso alterado:

N832/11 Terminal Lapa - Parque Continental (Noturna)

7282/10 Parque Continental - Praça Ramos de Azevedo

748A/10 Jd. Peri Peri - Lapa

748A/41 Jd. D'Abril - Lapa

748R/10 Jd. João XXIII - Metrô Barra Funda

775N/10 Rio Pequeno - Metrô Vila Madalena

8038/10 Parque Continental- Lapa

809H/10 Jardim Boa Vista - Lapa

809N/10 Vila Dalva - Lapa

809T/10 COHAB Raposo Tavares- Lapa

8319/10 Parque Continental - Sesc Pompeia

847J/10 City Jaraguá- Jaguaré

874C/10 Parque Continental - Metrô Trianon Masp

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