Poluição volta a córregos recuperados Série analisa promessas

Reportagem visitou metade dos 58 córregos marcados como despoluídos pela Prefeitura; apenas 8 de 29 estavam sem lixo, esgoto ou mato alto POLUIÇÃO

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2012 | 03h03

Os cursos d'água que a Prefeitura incluiu no Programa Córrego Limpo foram despoluídos há cerca dois anos. De lá para cá, porém, a maioria voltou a ter lixo ou esgoto no seu leito. A reportagem percorreu metade dos 58 córregos que a administração informou como despoluídos e recuperados no programa de metas da atual gestão.

De 29 córregos visitados, 8 tinham água clara e margens limpas. Os outros apresentaram um ou mais tipos de problemas. A poluição é o tema da quarta reportagem da série que o Estado publica sobre o plano de metas de Gilberto Kassab (PSD): a Agenda 2012. Foram levadas em consideração três das metas do programa que tratam do tema poluição: a implementação de nove centrais de triagem de material reciclável, instalação de 61 Ecopontos e inclusão de mais 58 córregos no Programa Córrego Limpo. Essa última é a única que consta como completa no site.

O Córrego Limpo é uma parceria dos governos municipal e estadual. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) faz a ligação de todos os esgotos das casas ao redor dos córregos e protege a margem, enquanto a Prefeitura tira o lixo do curso d'água.

No entanto, poucos foram os córregos de águas cristalinas que a reportagem encontrou. O Da Rua Quinta Sinfonia, na região de Cidade Tiradentes, está cheio de lixo, além do mato alto nas margens e nas proximidades. "É muito raro a Prefeitura aparecer aqui. Da última vez que vieram, o caminhão deles ficou atolado", comentou Talita Lima, de 21 anos, que trabalha na rua vizinha. Segundo a Sabesp, imóveis irregulares, alguns até abaixo da rede coletora, lançam esgoto no córrego.

Há ainda cursos d'água com forte cheiro de esgoto. Ao observar com cuidado, é possível encontrar pequenos canos de ligações improvisadas por moradores, como no caso do Córrego Jardim Nazaré, no Itaim Paulista, zona leste. "Eles fizeram a ligação de esgoto, mas está dando problema e a água volta no ralo. Aí meu marido colocou esse cano para cair no rio", disse a doméstica Maria Aparecida Bezerra, de 47 anos, que mora há 14 anos na beira do córrego. A Sabesp informou que vai investigar possível ligação clandestina.

Os cursos d'água em pior estado foram encontrados nessa mesma região da cidade. Em córregos como o Guichi Shigueta, Da Rua El Rey, Bartolomeu Ferrari e Da Rua Rio do Ouro, havia restos de material de construção, lixo de pequeno e médio porte, água turva e mato alto. A Sabesp informou que imóveis irregulares lançam esgoto e novas varreduras também serão feitas nesses locais.

Entre os córregos em melhores condições estão o Adão Ferraris, em Pirituba, na zona norte, os da USP e Ibiporã, no Butantã, zona oeste, Cemitério de Congonhas, em Santo Amaro, na zona sul, e Parque da Consciência Negra, na Cidade Tiradentes.

Zeladoria. A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou que "os serviços são executados mensalmente, e contemplam a remoção de detritos do córrego, bem como corte de grama das margens". As próximas ações serão realizadas ainda neste mês.É importante ressaltar, segundo a administração municipal, que mesmo com as ações de zeladoria a contribuição da população é essencial.

O objetivo do "Observatório das Metas" é analisar o cumprimento das principais promessas feitas pelo prefeito. Em março, a reportagem constatou que parte dos parques inaugurados estava em estado precário - a Prefeitura prometeu consertá-los. No mês seguinte, foi a vez dos novos abrigos para moradores de rua - a administração afirmou que o projeto estava no começo. No terceiro caso, atendidos por programas de urbanização de favelas reclamaram de problemas nos prédios - o governo diz que serão resolvidos. / C.B.

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