Político do PSDC é preso por racismo no ABC

O vice-presidente do diretório municipal do Partido Social Democrata Cristão (PSDC) em Santo André, no ABC paulista, Adriano Giovanni Pieroni, de 48 anos, foi preso na noite de anteontem após xingar dois guardas-civis e chamar um deles de "macaco", na frente do velório municipal de São Caetano do Sul.

RICARDO VALOTA, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2012 | 03h08

Os guardas Edemir Edinor da Silva e Jucélio Silva, que trabalham na base da Alameda São Caetano, no bairro Santa Maria, estavam de serviço desde as 18 horas na frente do velório. Anteontem, cinco pessoas eram veladas - entre elas, o primo de Pieroni, assassinado com vários tiros no rosto.

Revoltado com a morte do primo, o político, ao ver a viatura parada, foi até os dois guardas e começou a ofendê-los. "Se vocês tivessem feito patrulhamento, meu primo não tinha sido assassinado, seus lixos, seus m....., seus b....., f.....da p.... Eu quando era policial da Rota, eu matava mesmo. Sou deputado federal, vocês não sabem com quem estão falando."

Segundo os guardas, a namorada do político disse que, momentos antes, ele havia tomado três doses de vodca em uma padaria perto do velório.

"Ele estava transtornado. Ainda me chamou de 'preto' e 'macaco'. Em dez anos de corporação, essa foi a primeira vez que eu fui agredido desta forma", disse o guarda-civil Jucélio Silva, de 38 anos. "Percebi que as palavras dele não foram motivadas pela bebida, mas pelo caráter dele mesmo, por aquilo que ele carrega dentro dele."

Pieroni foi colocado na viatura e levado para a delegacia sede de São Caetano. Lá, o político disse ao delegado que havia sido agredido pelos guardas, o que, para a Polícia Civil, não ocorreu.

O político foi autuado por injúria racial e desacato. Não havia sido confirmado pela polícia se Pieroni já atuou como policial militar. Por racismo ser um crime inafiançável, Adriano deve ficar preso e aguardar decisão judicial.

Em nota, o PSDC informa que o comportamento de Pieroni sugere "forte transtorno psicológico, causado pelo longo tratamento a que está sendo submetido, com medicamentos antidepressivos" e que ele foi afastado do cargo no diretório.

Violência. Em junho de 2011, Pieroni foi preso ao invadir, armado com uma faca, a mesma base da guarda-civil onde Edemir e Jucélio trabalham. A mulher do político, após discutir com o marido, foi perseguida por ele e se refugiou dentro da base. Dominado com uso de spray de pimenta, Pieroni ainda chutou uma viatura.

A mulher já havia registrado boletim de ocorrência contra o político por violência doméstica.

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