Policial que matou brasileiro nos EUA é afastado

Segundo Promotoria, André Martins, que vivia em Massachusetts, estava a 140 km/h e não parou para oficial

Agências internacionais,

29 de julho de 2008 | 07h47

O policial que matou o paranaense André Martins, de 25 anos, foi afastado da polícia de Yarmouth, no Estado de Massachusetts, Estados Unidos. Segundo o jornal Boston Herald, o promotor Michael O’Keefe confirmou na segunda-feira, 28, que Christopher Van Ness foi colocado sob licença administrativa após o incidente na madrugada de segunda. "Ele está obviamente impactado com a tragédia", disse O’Keefe.   Veja também: Turística, cidade atrai imigrantes vindos do PR e MG  ''Metralharam meu filho'', afirma pai de rapaz    Segundo autoridades americanas, o brasileiro, que trabalhava como pintor, passou por um patrulheiro em alta velocidade e, após receber alerta para encostar o veículo, saiu em disparada. Ao ser abordado pelo policial, recebeu vários tiros. Um disparo acertou o coração e o pulmão. A companheira de André, a mineira Camila Campos, de 25 anos, que estava no veículo, não sofreu ferimentos. Ela, que trabalha em uma clínica ginecológica e é mãe de uma menina de 6 anos e de um menino de 2, afirmou que o carro estava parado na hora em que o policial disparou e que ela só não foi atingida porque se abaixou. "Ninguém pediu para que saíssemos do carro", disse.   O oficial Van Ness é membro da polícia de Yarmouth há mais de três anos, e era reconhecido na cidade por resgatar uma mulher de um incêndio em abril desde ano.   Segundo o promotor Keefe, que investiga o caso, a perseguição começou à 1h10, quando André passou pela viatura policial. O oficial acendeu as luzes azuis, sinalizando para que ele parasse. André acelerou e chegou a 140 quilômetros por hora, segundo testemunhas. Outros policiais fizeram um bloqueio. Camila afirmou que André desviou ao ver que não daria tempo de parar e bateria na segunda viatura que bloqueou a passagem. Segundo O-Keefe, ele bateu no carro de Van Ness, que saiu atirando. André morreu a caminho do hospital.   O relatório de O-Keefe apontou também que o brasileiro estava com um cigarro de maconha na boca no momento em que os paramédicos chegaram. O promotor não quis dizer se vai responsabilizar o policial criminalmente pela morte de André. Detetives da polícia estadual estão fazendo a reconstituição e analisando a balística. A promotoria não especificou quantos tiros atingiram o paranaense. Camila disse pensar em processar o Estado de Massachusetts.   Para os brasileiros da região, André foi vítima de perseguição. "Aqui tem dessas coisas. Quando um policial não vai com a sua cara, começa a te parar a toda hora", conta o mineiro E.J., que trabalha como motorista há sete anos. André morava ilegalmente no país desde 2001. Camila, que vive nos EUA há 18 anos e está regularizada, fez um apelo para que não haja discriminação. "Não importa se viemos do Brasil ou dos Estados Unidos. Ser imigrante não é razão para atirar em alguém."   Fausto Mendes da Rocha, do Centro do Imigrante Brasileiro de Massachusetts, disse que os brasileiros temem a ação policial. "O local é muito pequeno, e nosso medo é de que os brasileiros sejam perseguidos."   Com Patrícia Campos Mello, Helen Sinzker, Especial Para o Estado e William Glauber

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