Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Policial que espancou comerciante tem empresa de segurança

Investigador da Corregedoria é sócio da Pentalpha, o que é proibido por secretaria; ele diz que pensou que caso nos Jardins fosse roubo

Alexandre Hisayasu, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2016 | 10h42

SÃO PAULO - O policial civil José Camilo Leonel é sócio o da empresa de segurança Pentalpha Consultoria Técnica de Segurança e Investigação em Fraudes Contra Seguros Ltda. No quadro societário, uma parente dele - Zenaide Leonel dos Santos - consta como sócia administradora. 

Até semana passada, Leonel estava na Divisão de Operações Policiais (DOP), da Corregedoria da Polícia Civil, um setor especializado em investigar policiais suspeitos de praticar extorsões. O policial foi flagrado espancando um comerciante, dono de uma loja de tapetes, nos Jardins, na zona oeste, em janeiro, para defender a estudante Iolanda Delce dos Santos, de 29 anos, cliente da loja que queria trocar um tapete persa. O caso foi revelado pela TV Globo.

A Secretaria de Segurança Pública informou que “policiais civis podem ser cotistas ou acionistas, de acordo com a Lei Orgânica da Polícia do Estado de São Paulo. O impedimento é de que sejam sócios administrativos ou gerentes”. A pasta não informou se será investigado o fato de Leonel ser sócio da empresa de segurança. 

Leonel faz parte do novo grupo de policiais que chegou na Corregedoria há dois meses junto com o novo diretor Domingos Paulo Neto com a missão de recuperar a imagem do departamento. Em dezembro, o Estado revelou que o Ministério Público apurou a existência de um mensalão da Corregedoria, cobrado de policiais corruptos, que eram avisados de investigações contra eles.

No caso de Leonel, a suspeita é que ele cometeu uma série de abusos. Além de espancar e ameaçar o comerciante com um arma na cabeça da vítima, ele - ao pedir apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE) - avisou que atendia a um caso de roubo. Por isso, várias viaturas foram ao local, o que pode fazer Leonel responder ainda por falsa comunicação de crime. O investigador estava de férias quando usou a viatura da Corregedoria. Procurado pelo Estado, Leonel não foi encontrado.

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