Edison Temoteo/Futura Press
Edison Temoteo/Futura Press

Policial militar e ex-PM são presos por chacina na sede da Pavilhão 9

Um terceiro investigado, suspeito de participar do crime, também seria policial; dívida feita por Fábio Neves Domingos, ligada ao tráfico de drogas, seria motivo - e ele, o único alvo do grupo

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 07h26

Atualizada às 20h15
SÃO PAULO - Um policial militar e um ex-PM foram presos nesta quinta-feira, 7, suspeitos de terem assassinado oito pessoas a tiros na sede da Pavilhão 9, torcida organizada do Corinthians. Walter Pereira da Silva Junior, PM em atividade, também é investigado por participar de outra chacina neste ano, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Rodney Dias dos Santos, de 41 anos, ex-membro da corporação, é um dos sócios-fundadores da uniformizada, criada em setembro de 1990. Um terceiro participante está foragido e a principal suspeita dos investigadores é que ele também seja policial militar.
Expulso da PM por envolvimento com tráfico de drogas, Santos é apontado como orquestrador e um dos executores do crime. De acordo com as investigações do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ele teria mandado cobrar uma dívida contraída por Fábio Neves Domingos, de 34 anos, ex-presidente da Pavilhão e principal alvo da chacina. "Havia uma relação de compra e venda de drogas e uma dívida muito grande da vítima com o traficante", afirmou o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes.
A Polícia Civil tem informações que Domingos, que também tinha passagem por tráfico, atuava na região do Ceagesp. Mas a forma como a dívida foi contraída ainda está sendo investigada. Uma das hipóteses é que ele tenha perdido um carregamento de cocaína e subornado policiais para ser solto. "O sigilo do inquérito está mantido porque ainda há necessidade de se aprofundar", disse o secretário. Os investigadores acreditam que Santos seria um dos fornecedores da vítima, de quem era conhecido. O ex-policial é sócio da Pavilhão 9 e tem um desenho dos Irmãos Metralhas, símbolo da torcida, tatuado no corpo.
Santos foi identificado com base em um retrato falado e reconhecido por testemunhas. Durante a investigação, o setor de homicídios do DHPP também chegou ao soldado do 33.º BPM Walter Junior, também conhecido do ex-policial. O PM é alvo de outra investigação, referente a uma chacina em Carapicuíba, onde o batalhão atua, neste ano. Ele foi preso quando estava em serviço. Já o ex-PM, que atualmente trabalhava em uma rede de supermercados, foi surpreendido em casa, no mesmo município. Com ele, foi apreendido um revólver calibre 38. A Justiça havia decretado prisão temporária de 30 dias para os dois. 
Para os policiais, ainda não é possível afirmar se o PM participou do crime após ter sido "contratado" ou por uma "questão de amizade" com Santos. Indícios também apontam que o terceiro envolvido também é policial militar. De acordo com o secretário da SPP, "há forte suspeita". Contudo, segundo a diretora do DHPP, Elisabete Sat,o os resultados das investigações ainda são "parciais".

Pavilhão 9. O crime aconteceu na noite de um sábado, dia 18 de abril, véspera de um clássico entre Corinthians e Palmeiras, na zona oeste da capital paulista. Apesar de ter sido um dia de festa na sede da Pavilhão 9, apenas 12 pessoas estavam no local quando três homens encapuzados invadiram o local, portando pistolas calibre 9 mm - as armas usadas pela PM são .40. Quatro conseguiram fugir, entre eles um faxineiro poupado pelos assassinos.
As vítimas eram homens entre 19 e 38 anos e metade já havia sido acusada de tráfico de drogas. Para os policiais, no entanto, o alvo era um só: Domingos. Os demais morreram por estarem no lugar errado, na hora errada. Logo após a chacina, os policiais descartaram a hipótese de rixa entre torcidas organizadas e afirmaram o tráfico como a principal linha de investigação.
No dia 24 de abril, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que a Polícia Civil havia passado a investigar a participação de PMs no caso. O DHPP e o secretário de Segurança Pública, no entanto, continuaram negando. Após as prisões efetuadas nesta quinta-feira, Moraes afirmou que, na época, ainda não havia indícios que apontassem nesse sentido. 
"Nem me precipitei nem tinha essa informação. Só no dia 27 (de abril) se chegou ao ex-policial militar, por meio do retrato falado. Mas, se no curso da investigação eu soubesse, também não diria. Assim que ficou comprovado os indícios de autoria, rapidamente obtivemos a prisão temporária dos dois."
Segundo o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Julio Cesar Neves, contudo, o departamento já havia sido alertado anteriormente sobre uma possível atuação de PMs nos assassinatos. A informação tinha como base o depoimento de uma das testemunhas à TV que afirmou teria ouvido os assassinos dizerem que eram policiais. "Entramos com um ofício no DHPP, no dia 22 de abril, solicitando que as testemunhas fossem incluídas no programa de proteção. Falamos da possibilidade real de haver bandidos travestidos de policiais."
Mais conteúdo sobre:
ViolênciaPavilhão 9São paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.