JB Neto/AE
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Policial e mais 9 são presos por furtar 4 toneladas de cabos em SP

Criminosos usavam uniformes de empresa que presta serviço de instalação; material é avaliado em até R$ 60 mil

Bruno Lupion e Ricardo Valota, Central de Notícias

16 Dezembro 2010 | 04h31

SÃO PAULO - Dez pessoas, entre elas um policial civil, foram presas enquanto furtavam 4 toneladas de cabos de cobre subterrâneos em Guarulhos, na Grande São Paulo, às 2h30 de quinta-feira, 16. Derretido, o cobre valeria cerca de R$ 40 mil e, triturado, até R$ 60 mil. A quadrilha usava uniformes, caminhão-baú e cerca de proteção ao redor do bueiro identificados com o logo da Icomon, prestadora de serviços da Telefônica, e tinha um mapa da rede. O policial escoltava o grupo e já havia sido detido em março deste ano pelo mesmo crime.

 

Após furtos anteriores, os policiais militares da cidade foram orientados a suspeitar de intervenções na rede de telefonia durante a madrugada e, durante patrulhamento de rotina na Rua Dr. Timóteo Penteado, altura do nº 2.130, decidiram abordar o grupo, que apresentou uma ordem de serviço falsa. "Depois eles confessaram e disseram que recebiam R$ 500 por cada noite de crime", contou o soldado Márcio Pessa, da 1ª Companhia do 15º Batalhão Metropolitano. Entre os detidos está uma mulher de 29 anos e o suposto gerente do furto, Francisco Nogueira Neto, de 32, acusado de remunerar os demais.

 

O investigador Lauriston Dias Leal, de 48 anos, que disse trabalhar no 45º Distrito Policial, na Vila Brasilândia, estava atrás da quadrilha em um Corolla verde e tentou fugir. Ele já havia sido detido em março por furto de cabos e respondia em liberdade. Marcelo Fernandes, de 38 anos, também estava no veículo e apresentou uma identidade falsa de policial civil.

 

Método. Para retirar os cabos, que pesam cerca de 5 quilos por metro e têm 15 centímetros de diâmetro, os criminosos os puxavam à superfície, amarravam em uma corrente presa ao caminhão e aceleravam o veículo. A cada segmento de sete metros, o cabo era cortado com um machado e guardado no baú.

 

Os dez presos foram autuados em flagrante no 1º Distrito Policial da cidade por furto e formação de quadrilha e, em seguida, encaminhados à Corregedoria da Polícia Civil. "O investigador também será autuado por prevaricação, pois deveria ter prendido os criminosos, mas não o fez porque fazia parte do grupo", disse o delegado Renato Francisco de Camargo Mello, da Divisão de Operações Policiais da Corregedoria.

 

 

 

Exceto o investigador e o falso policial, todos os presos são de Carapicuíba, onde atua uma quadrilha de roubo de cabos sob investigação da 3ª Delegacia de Patrimônio do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). A Polícia Civil cruzará os dados para saber se os detidos nesta quinta-feira integram a mesma quadrilha.

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