Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Policial é contra ‘controle externo’, diz pesquisa

Maioria acha que população não deve opinar sobre afastamento de agentes; 2.079 responderam em SP

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

29 Julho 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Policiais civis e militares de São Paulo gostariam de uma participação maior da comunidade nas decisões sobre planejamento de patrulhamento. Por outro lado, são contra a influência da comunidade ao decidir o afastamento de policiais violentos. 

É o que mostra pesquisa inédita sobre reforma do sistema policial, chamada Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública, feita em parceria entre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

Os dados completos da pesquisa, que colheu informações de 21 mil policiais civis e militares de todo o País, serão divulgados nesta quarta-feira, 30, em São Paulo.

A pesquisa foi feita a partir de resposta a questionários enviados por e-mail. Foram enviados cerca de 600 mil e-mails para PMs, policiais civis, federais e rodoviários. Em São Paulo, foram 2.079 respostas.

Dentre os policiais paulistas, 83,3% dos PMs e 83,6% dos policiais civis disseram que a população deveria participar das decisões sobre a prioridade dos patrulhamentos. Só 7,9% dos PMs e 9,7% dos civis foram contra. 

Para o vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM paulista, Antonio Carlos do Amaral Duca, a opinião é fruto de experiência já vivida na prática. “São Paulo tem os conselhos de segurança. O policial já sabe que é parte da sociedade”, afirma ele.

Por outro lado, a pesquisa mostra falta de vontade dos policiais de submeter suas corporações a controle externo: 55% dos PMs e 49% dos civis dizem que a comunidade não deveria “influir de forma decisiva no afastamento de um policial apontado por vários moradores como violento e/ou desrespeitoso”, segundo a pesquisa.

“Isso acontece porque as polícias, muitas vezes, são usadas para fins políticos. As críticas e elogios à polícia, e algumas atuações, têm cunho muitas vezes político. Quando se fala em comunidade, eventualmente o que ocorre é uma interferência política em decisões que são da polícia”, diz Duca, ao analisar a resposta.

Em outra pergunta, os policiais, tanto civis quanto militares, relataram uma relação de falta de confiança no Ministério Público e na Justiça. 

Para 47,2% dos policiais, o MP atua “com insensibilidade e indiferença relativa às dificuldades do trabalho policial, apenas cobrando, sem colaborar”. Sobre o Judiciário, esse comportamento foi apontado por 47,1% dos entrevistados. 

O coordenador da pesquisa, Renato Sérgio de Lima, diz que os policiais de São Paulo manifestaram desejo de maior integração com outros órgãos que também lidam com a segurança pública. “Se você olhar as respostas do questionário, você verá que não há consenso” sobre como deveria ser a integração das polícias, segundo ele. “Mas 75% dos policiais de São Paulo acham que deveria haver uma integração maior”, segundo mostrou o levantamento. 

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