Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Policial doa rim a colega de trabalho

PM homenageia hoje soldado que vai ajudar a salvar amigo doente

Valéria França, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2011 | 00h00

Hoje, ao meio-dia, 1,3 mil alunos da Escola Superior de Soldados, em Pirituba, na zona oeste da capital, vão homenagear o soldado José Ricardo de Paula, de 43 anos. O motivo: o PM vai doar um de seus rins a um amigo da corporação. "É a primeira vez que vemos um ato de solidariedade como esse", diz o tenente Fernando Signorelli, de 32 anos. "Isso mostra que a corporação é como uma família para o soldado."

Em novembro do ano passado, o soldado Celso José de Oliveira, de 44 anos, teve uma crise renal. Chegou a ser internado e encaminhado para hemodiálise. Casado, pai de quatro filhos - a mais velha, Jade, tem 19 anos, e a caçula, Marjary, 9 -, ele trabalha como auxiliar na biblioteca da escola de soldados.

Oliveira estava em tratamento desde 2005, ano em que descobriu que tinha rins menores do que o padrão da população. "Cada um mede cerca de 5 centímetros, menos da metade de um saudável", explica o soldado, que, graças aos medicamentos, manteve o quadro estabilizado. Mas, em novembro, depois da crise, os médicos disseram que a solução seria o transplante. "Cheguei a pegar uma senha (no Programa Estadual de Transplantes). Estava resignado a esperar a minha vez."

Ele não perguntou ao médico nem quanto tempo poderia levar a espera. "Falei para a minha mãe que nunca pediria que alguém doasse em vida. Se isso tivesse de acontecer, a pessoa iria se oferecer." Mas ele acreditava que o órgão viria mesmo de um cadáver.

José Ricardo trabalha no Departamento de Telemática da escola. Assim como Oliveira, mora em Pirituba, também é casado e tem filhos. Os dois se conheceram há três anos, quando trabalharam na mesma seção.

Inesperadamente, há três meses, José Ricardo ofereceu um de seus rins ao colega. "Estou emocionada", diz a mulher de Oliveira, Cristina, de 34 anos. "Eu não esperava. Quando ele falou, não acreditei. Perguntei se ele tinha mesmo certeza disso. Ele disse que sim", conta Oliveira, que é espírita e acredita que a explicação para tanta solidariedade esteja em vidas passadas.

Os dois já fizeram o teste de compatibilidade, que deu positivo. Alguns exames complementares ainda precisam ser realizados para que, então, o transplante seja marcado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.