Policial disputou Olimpíada de Seul

Major assassinado competiu em 1988 no pentatlo e fez cursos na Swat e em Israel

O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2011 | 03h03

O major Sandro Moretti Silva Andrade era um especialista no gerenciamento de crises. Em seu currículo, constam cursos em Israel e nos Estados Unidos para lidar com situações envolvendo reféns e com uma equipe da Swat, o grupo tático da polícia americana. Era ainda um atleta. Disputou, na Olimpíada de Seul, em 1988, o pentatlo, modalidade na qual o competidor faz provas de tiro, esgrima, equitação, natação e corrida. Ele foi campeão brasileiro e sul-americano.

Foi sua formação como gerenciador de crises que o levou na noite de anteontem à Estrada do M'Boi Mirim, onde o bandido mantinha reféns. Tudo foi filmado pela TV Globo.

As imagens mostram Andrade na linha de frente, na posição do negociador da crise. Foi por isso que ele virou alvo, quando o assaltante Osmar José Soares deixou o depósito de material de construção, usando três reféns como escudo. A filmagem registrou o momento em que o major caiu baleado. Ao lado dele, o soldado César Aurélio Cavalcanti, que o ajudava na negociação, também foi ferido - o filme exibe ainda o ladrão sendo morto com oito tiros, dois disparados quando ele estava no chão.

Trajetória. O major será enterrado hoje em Nova Granada, sua cidade natal, no interior do Estado. Há 26 anos na Polícia Militar, começou a carreira como bombeiro. Em 2008, promovido a major, foi transferido para a capital.

"Moretti tinha formação sobre o que era aquela ocorrência. Nós estávamos a caminho para dar apoio, mas não deu tempo", disse o comandante do Policiamento de Choque, coronel Cesar Morelli. De acordo com o comando da PM, a "coragem demonstrada da ação - intensificada pelo fato de o policial estar sem colete à prova de balas - torna Andrade mais um herói na Polícia Militar".

Mas o excesso de confiança também pode tê-lo colocado em perigo.

Segundo o major Marcel Sofner, porta-voz da corporação, Andrade entregou um outro colete a um cinegrafista da TV Bandeirantes porque não pensava nele, mas na proteção dos outros. A PM informou que tem coletes à disposição dos policiais. A proteção faz parte dos equipamentos pessoais e é obrigatória.

A TV Bandeirantes informou que seu cinegrafista - que recebeu o colete do major - não portava colete próprio porque estava designado para cobrir o trânsito na região quando a equipe foi convocada pela polícia, por exigência do assaltante que mantinha reféns. A emissora disse que seus profissionais usam o equipamento em situações de risco.

Filhos. Andrade deixa três filhos - a caçula, uma menina, tem 2 anos. Apesar de trabalhar em São Paulo, morava com a família em Novo Horizonte. Durante a semana, dormia no quartel em Santo Amaro.

Andrade realizaria um sonho em 2012: abraçar o primeiro filho, com 18 anos, que mora com a mãe em Abu Dabi desde bebê. Pai e filho só se viram há alguns meses, pela internet. / ADRIANA FERRAZ, FELIPE FRAZÃO e JAIR ACEITUNO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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