Policial civil paulista está entre os presos por tráfico em Portugal

Investigador que já foi do departamento antidrogas é um dos acusados de[br]levar 1,7 tonelada de cocaína para a Europa

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2010 | 00h00

A apreensão de quase 2 toneladas de cocaína com cinco brasileiros em Portugal provocou um terremoto na Polícia Civil de São Paulo. Tudo porque um dos presos pela polícia portuguesa é o investigador Walter José Bernal. Conhecido como Ratão, ele foi um importante policial do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) até 2006. Atualmente, está na 5.ª Delegacia Seccional de São Paulo, na zona leste.

"Ele (Bernal) é inocente. Ele estava no lugar errado, na hora errada e com a pessoa errada", disse o advogado Daniel Bialski, que defende o investigador. A apreensão de 1,7 tonelada de cocaína na cidade de Montijo foi a conclusão de uma investigação da polícia portuguesa que durou seis meses. A droga está avaliada em 20 milhões.

A cocaína, de origem colombiana, chegou a Portugal pelo Porto de Leixões, no norte do país. Estava em cinco contêineres misturada a placas de gesso, que foram transportados até Montijo, de onde seria enviada à Espanha. Segundo a investigação, os traficantes planejavam o envio de mais nove contêineres.

Bernal está há 21 anos na polícia. Em 2007, se tornou chefe dos investigadores da seccional, função que exerceu até 2009, quando, com a mudança de direção da delegacia, deixou a chefia, mas ficou na unidade.

A Polícia Federal foi avisada do envio de cocaína para a Europa pela polícia portuguesa. Na apuração, descobriu que Bernal tem um apartamento na Vila Nova Conceição, na zona sul. Com as prisões, ocorridas no dia 7 de outubro, os federais foram ao apartamento. Com um mandado expedido pela juíza Noemi Martins de Oliveira, da 5.ª Vara Federal de Guarulhos, na Grande São Paulo, a PF apreendeu dois cofres, documentos, fotos, celulares e cartões de memória de telefones.

Amigo. Bernal seria ligado ao empresário Paulo Eduardo Costa Junqueira, um dos sócios da empresa de gesso Aprendendo a Somar, com sede em Montijo. A empresa de Junqueira teria ainda como sócio Rarisson Soares da Silva, também investigado no caso.

As casas de Junqueira em Mairiporã e em Guarulhos, na Grande São Paulo, foram revistadas pelos federais. O empresário está entre os presos em Portugal. Ele foi detido em companhia do empresário Emerson Rodrigues de Salas e Bernal. A reportagem não localizou a defesa dos dois.

Bernal disse aos policiais portugueses que passava férias com sua mulher. De fato, ele está de férias desde 27 de setembro. "Ele foi a Portugal a convite do Paulo (Junqueira)", afirmou Bialski.

A prisão causou desconforto na polícia. "Ele sempre foi muito discreto. Para mim, ele era um empresário", disse o delegado Emílio Braga Françolin, que o chefiou no Denarc e na seccional. O investigador seria sócio no Brasil de uma empresa de factoring.

A Corregedoria da Polícia Civil abriu uma investigação sobre o caso. Ele vai verificar se outros policiais estão envolvidos no caso e se outros carregamentos de gesso foram enviados à Europa pelo grupo.

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