Policial 'alfanumérico' reduziu confronto no Rio

Escolhido há 3 dias, chefe da PM vai fortalecer os agentes especializados em atuar em meio a multidões

Entrevista com

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2013 | 02h13

Escolhido há três dias pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, para comandar a Polícia Militar do Rio, o coronel Luís Castro pretende fortalecer o Grupamento de Policiamento de Proximidade de Multidões (GPPM), com mais policiais e uma sede própria. Apelidados de "alfanuméricos" por ativistas, esses policiais circulam fardados em meio às manifestações - com coletes com números e letras para facilitar a identificação caso ocorram excessos. Desde que foi adotada, a nova estratégia reduziu os casos de violência entre policiais e manifestantes, segundo Castro.

O secretário Beltrame já admitiu em entrevistas que as autoridades da segurança não estavam preparadas para as manifestações que tiveram início em junho, sem líderes e frequentemente terminando em vandalismo. A PM foi bastante criticada por excesso de violência em alguns protestos, e por prevaricação em outros. Recentemente, adotou-se a estratégia dos "alfanuméricos", que tem sido elogiada até por ativistas. Ela será mantida?

Sim. Está sendo muito útil nesse momento, funcionando bem. Depois do início da sua aplicação os confrontos diminuíram consideravelmente. Vamos aplicar e monitorar. Se percebermos que há necessidade de aumentar ou modificar o dispositivo, vamos fazê-lo. A cada manifestação temos necessidade de rever o que foi feito para saber se o planejamento está adequado.

Como esse grupo foi formado? Quais treinamentos os policiais recebem?

A maioria é de policiais com habilidade em artes marciais ou métodos de defesa pessoal. Estavam espalhados (em vários batalhões) porque já havia na PM uma instrução de método de autodefesa, que era ministrado por esses policiais. Então, pegamos a expertise desses agentes e juntamos com um grupo de PMs que já havia recebido treinamento para atuar em estádios de futebol. Adaptamos o método de autodefesa e a questão da verbalização, ou seja, o diálogo dos PMs com os manifestantes. Por enquanto, o GPPM usa provisoriamente uma parte do Batalhão de Choque. Mas já estamos procurando um local mais apropriado, onde eles tenham mais condição de se alojar e de treinar. Em dias sem manifestação, eles ficam em treinamento de métodos de autodefesa e verbalização.

Como o Batalhão de Choque vai atuar nos protestos daqui em diante?

Quando houver necessidade. Será uma força de reserva.

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