Policiais viram réus de achaque a traficantes

23 foram denunciados pela Justiça por esquema de propina, sequestro e tortura em Campinas

Ricardo Brandt / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2013 | 02h01

A Justiça aceitou denúncia contra 13 policiais civis do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), investigados por um suposto esquema de cobrança de propina, com sequestro e tortura de traficantes de Campinas. Entre os denunciados estão o ex-diretor de Inteligência do departamento Clemente Calvo Castilhone Júnior e o delegado Fábio do Amaral Alcântara.

Ao todo, são 23 denunciados. Desses, 11 policiais civis, 1 informante da polícia e 9 traficantes tiveram a prisão preventiva decretada ontem, pelo juiz da 6.ª Vara Criminal de Campinas, José Guilherme Di Rienzo Marrey. Ameaças feitas aos promotores reforçaram a necessidade das prisões (veja ao lado).

Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) não pediram a prisão de Castilhone, acusado de violação de sigilo funcional. Ele teria envolvimento com o vazamento de uma operação policial contra os traficantes investigados. No caso de Alcântara, acusado de coparticipação em um sequestro de um criminoso e falsidade ideológica em operações forjadas, o magistrado considerou não ser competente para analisar o pedido de prisão.

Alcântara já havia sido solto por determinação do Tribunal de Justiça, após tentar suicídio na Corregedoria. Tanto ele como Castilhone foram presos temporariamente no dia 15 de julho. Seus advogados, Márcio Sayeg e João Batista Augusto Júnior, negam qualquer relação dos clientes com crimes. Os outros 11 policiais foram enquadrados em crimes como formação de quadrilha, extorsão mediante sequestro, roubo, falsidade ideológica, tortura e associação ao tráfico. No inquérito, negaram relação com os criminosos.

Histórico. Segundo o Gaeco, o alvo das propinas eram traficantes de Campinas, liderados pelo sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, preso desde 2002 no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. Entre janeiro e maio deste ano, o grupo de policiais e pessoas que se passavam por policiais teriam extorquido, roubado, torturado, ameaçado de morte e sequestrado traficantes e familiares do grupo, para receber R$ 300 mil. O esquema foi descoberto acidentalmente, quando o Gaeco investigava os traficantes.

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