Policiais viajam atrás de carro apreendido

Policiais viajam atrás de carro apreendido

Investigadores saíram de São Paulo e foram para Ourinhos em busca de[br]veículo em posse da PRE. No estepe, havia R$ 40 mil

, O Estadao de S.Paulo

30 Março 2010 | 00h00

A Corregedoria da Polícia Civil quer descobrir o motivo do misterioso interesse de três policiais de duas delegacias de São Paulo em um Siena apreendido na semana passada pela Polícia Rodoviária. Eles saíram da capital do Estado e andaram 378 quilômetros até Ourinhos atrás dele. O fio de meada para despertar o interesse dos investigadores podem ser os R$ 40 mil em dinheiro encontrados no estepe.

Ninguém sabia da presença da quantia no veículo, que havia sido apreendido por uma suspeita de irregularidade no documento de licenciamento do Siena. O motorista do carro apresentou comprovante de pagamento de IPVA de 2009, apesar de o veículo constar como devedor do imposto em 2008, o qual deveria ter sido recolhido antes do pagamento do IPVA de 2009.

Além disso, os policiais rodoviários apreenderam uma pequena porção de maconha com o vendedor que dirigia o carro, o que fez com que ele fosse levado à delegacia de Ourinhos. O homem disse que levava o Siena a Cambé, no Paraná, a pedido de um amigo, que lhe pagaria R$ 1 mil pelo serviço. Estava com duas mulheres no carro, que seriam suas amigas, e com R$ 2,1 mil. Em Cambé, entregaria o veículo a uma pessoa indicada e voltaria a São Paulo de ônibus.

Os rodoviários revistaram o Siena e acharam um fundo falso no painel do carro. O veículo apreendido foi deixado em um estacionamento particular utilizado pela polícia naquela cidade. No domingo, o comerciante Antônio Carrera, dono do pátio, recebeu um telefonema de um policial.

Desconfiado, o comerciante chamou a Polícia Militar. Os policiais civis que foram ao estacionamento acabaram abordados pelos PMs, que questionaram o motivo de eles terem vindo de tão longe por causa do carro. De acordo com o que disseram os PMs, os homens do 50.º Distrito Policial de São Paulo (responsável pelo Itaim Paulista, na zona leste), afirmaram que andaram quase 400 quilômetros para recuperar um rastreador que haviam instalado no veículo. Estavam acompanhados por um policial civil de Ourinhos. Os PMs fizeram nova revista no Siena e, para surpresa deles, encontraram os R$ 40 mil no estepe. Apesar da busca minuciosa, nenhum rastreador foi achado no carro.

Como tudo parecia estranho, os PMs apresentaram o caso na delegacia de Ourinhos. Essa repassou as informações à 4.ª Corregedoria Auxiliar, em Bauru. Ela descobriu que os dois policiais do 50.º DP não haviam avisado os superiores sobre a viagem a Ourinhos. Não tinham ordem de serviço que justificasse qualquer investigação. Por isso, os corregedores registraram um boletim de ocorrência sobre "irregularidades funcionais".

Mas os dois homens da delegacia do Itaim Paulista não foram os únicos que se esforçaram para ir a Ourinhos atrás do Siena. Além deles, um investigador que seria do 69.º Distrito Policial, na Cohab Teotônio Vilela, na zona leste, também apareceu na cidade. Estava acompanhado de um homem, que se dizia pai do motorista do carro detido pelos rodoviários. Alegando que o amigo tinha objetos pessoais dentro do veículo apreendido, o policial queria acompanhá-lo até o carro para que ele apanhasse as coisas. Não sabia o que havia ocorrido com os colegas do 50.º DP. A exemplo deles, conseguiu apenas se tornar um alvo da apuração dos corregedores. / M.G.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.