Policiais são punidos por comentários no Twitter

Policiais civis e militares do Rio têm sofrido punições por comentários feitos pelo Twitter. Um caso mais extremo ocorreu no dia 13, quando o capitão da PM Luiz Alexandre Souza da Costa foi punido com 20 dias de prisão administrativa por ter comentado a sua nomeação para determinado cargo na corporação. Na segunda-feira, um delegado da Polícia Civil informou que estava se "calando" na rede social, enquanto não pudesse gozar de "prerrogativas como inamovibilidade e independência".

Gabriela Moreira / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

Pelo perfil @Delegado_Pinho, o policial defendia eleições para a escolha do chefe da Polícia Civil e pedia que a corregedoria interna fosse independente. Na semana passada, o delegado foi transferido do cargo de titular de uma importante delegacia da zona oeste (33.ª DP, Realengo) para o Departamento Geral de Polícia da Capital, onde se encontra sem função oficial. A instituição não comentou o assunto, mas o delegado, por meio do Twitter, negou ter sido censurado. "Deixei claro que não recebi qualquer censura por causa do Twitter", respondeu.

Já a PM confirmou que puniu o capitão por ele ter cometido uma transgressão grave. De acordo com o Boletim Interno, o militar foi punido "pelo fato de haver veiculado em canal de mídia particular mensagens com conteúdo negativo, depreciativo e irônico sobre ato legal do Comandante". Segundo o capitão, o comentário que levou à punição foi sobre a nomeação como Oficial de Ligação entre o Comando Geral da PM e o Instituto de Segurança Pública.

"Falei no Twitter que estava me achando importante, mas que não sabia a atribuição do cargo. Estou no meu direito constitucional de liberdade de expressão", disse Luiz Alexandre.

A Assessoria de Imprensa da PM informou que não houve censura ao capitão e destacou que a corporação é favorável ao uso do Twitter, mas considera que a pessoa do comandante foi atacada, além de o capitão ter debochado do convite para o cargo.

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