MARIO ÂNGELO/SIGMAPRESS
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Policiais são presos acusados de extorquir envolvidos no assalto milionário à Protege

Um advogado e um homem que faria o contato entre os assaltantes e os agentes também foram detidos; um delegado da Polícia Civil, um escrivão e um outro investigador estão foragidos

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

26 Abril 2016 | 10h29

SOROCABA- Uma operação do Ministério Público Estadual (MPE) e da Corregedoria da Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira, 26, em Campinas, quatro investigadores, um advogado e um receptador suspeitos de extorsão e corrupção. Um delegado, um escrivão e um investigador tiveram mandados de prisão expedidos, mas não foram encontrados e são considerados foragidos. Quatro dos policiais participavam das investigações do assalto à Protege, no mês passado, quando foram levados R$ 50 milhões da empresa de valores.

As prisões foram feitas por uma força-tarefa que reuniu, além dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), corregedores da Polícia Civil de Campinas, São Paulo, Sorocaba, Ribeirão Preto e Bauru. Na casa de um dos investigadores, foram apreendidos maços de dinheiro suficientes para encher um saco plástico. O valor não foi revelado. Na ação também foram apreendidos documentos, armas ilegais e computadores. Os detidos, com prisões preventivas decretadas pela Justiça, foram levados para a Corregedoria em Campinas.

As investigações começaram há dois meses. De acordo com o MPE, os policiais foram citados em intercepções telefônicas, autorizadas pela Justiça, entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações indicaram que eles recebiam propina para não dar andamento a apurações. O advogado seria o elo entre policiais e bandidos. O integrante do PCC seria um receptador que pagava propina aos policiais.

Os quatro investigadores presos são do 2.º Distrito Policial e participavam das investigações do mega-assalto à Protege. Outro investigador do DP não foi localizado e é procurado. Já o delegado e um escrivão do 4.º DP cobravam até R$ 2 mil para liberar suspeitos detidos em flagrante. O delegado já vinha sendo investigado e estava afastado havia cerca de um mês para tratamento de saúde. Eles não foram encontrados e também são considerados foragidos.

Suspeitas. Segundo o promotor Amaury Silveira Filho, a ação dos suspeitos não tinha relação direta com o roubo da Protege, mas a possibilidade de que os policiais tivessem “relaxado” as investigações não está descartada. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que o dinheiro apreendido na casa do investigador pode ser de bancos ou carros-fortes. “As cédulas de dinheiro terão sua numeração verificada pela Protege.”

Segundo a SSP, não havia, até esta terça-feira, 26, indícios de policial envolvido no roubo da Protege. “Os policiais já eram investigados antes mesmo do roubo à empresa”, disse a nota, acrescentando que os mandados são relacionados a crimes de extorsão. 

O assalto à Protege aconteceu no dia 14 do mês passado, quando uma quadrilha fortemente armada cercou e invadiu a sede da empresa. O bando com cerca de 20 integrantes explodiu paredes e cofres. Os criminosos incendiaram veículos nas vias de acesso para dificultar a perseguição. Seis suspeitos de participação no assalto foram presos e, com eles, foram apreendidos dinheiro, armas, munição e veículos.

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