Policiais que falaram sobre dados criminais ao MP podem ter sido 'mal compreendidos', diz secretário

Como reportagem do 'Estado' mostrou, inquérito apura suposta manipulação de dados na divulgação das estatísticas criminais

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2016 | 22h40

O secretário de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, disse nesta segunda-feira, 22, que, "talvez", os dois representantes da pasta ouvidos no Ministério Público no inquérito que apura suposta manipulação de dados na divulgação das estatísticas criminais, "possam ter sido mal compreendidos pelos promotores". Em depoimento assinado, eles afirmaram que cerca de 20 a 30 casos de homicídios são retificados por mês, porém, não são incluídos nos dados oficiais do governo.

Para Alves, qualquer erro, assim que detectado é corrigido. Por exemplo, se uma vítima de tentativa de homicídio morrer dias depois do registro do caso, a retificação só será acrescentada "na estatísticas do final do ano" quando são divulgados os números finais.

O Estado teve acesso aos depoimentos do delegado Denis Almeida Chiuratto e da capitã da PM, Marta das Graças de Souza e Sousa. Eles trabalham na Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria de Segurança Pública, que controla as estatísticas criminais. 

Eles afirmaram que, por exemplo, se um caso de morte suspeita foi retificado para homicídio e a retificação ocorrer depois da data de fechamento dos dados - todo dia 7 - a retificação com o dado correto não é incluída nos dados oficiais. Vai para outra planilha "sob controle da secretaria".

O secretário também disse "ser estranho" os dois representantes serem ouvidos juntos, no mesmo depoimento. "Parece uma ata de reunião". Segundo ele, os funcionários estão à disposição dos promotores. A pasta informou que, no ano passado, 52 homicídios e 12 latrocínios foram retificados num total 18.620 boletins de ocorrência de morte suspeita. 

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que o Estado tem "transparência absoluta" na divulgação dos dados criminais. "Se algum caso de morte a esclarecer for homicídio, inclui como homicídio". Segundo ele, as retificações de ocorrências de morte são mínimas. "É a vírgula da vírgula da vírgula".

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