Reprodução
Reprodução

Policiais militares são investigados por morte de jovem na zona norte de SP

Segundo os dois PMs, balconista sofreu 'mal súbito' durante revista; família suspeita de espancamento

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2011 | 00h16

SÃO PAULO - No dia 25, o balconista Milton Dal Corso Filho, de 22 anos, saiu de casa para encontrar uma amiga. Por volta da 1 hora, quando passava por um escadão na altura do número 220 da Rua Forte de São Caetano, no Jardim Antártica, na zona norte, foi abordado pelo sargento Osmar Rodrigues Mendonça e pelo soldado Paulo dos Santos Silva, que estavam na viatura M-47309, da 3.ª companhia do 47.º Batalhão da Polícia Militar.

Segundo a versão dos policiais, outros dois rapazes que estavam próximos a Milton fugiram. Ele permaneceu parado. No boletim de ocorrência registrado no 72.º Distrito Policial (Vila Penteado), consta que os PMs fizeram uma revista e não encontraram nada de irregular com Milton. Eles então teriam se afastado por dois metros. Nesse momento, o rapaz teria sofrido um mal súbito e caído de costas, batendo a nuca no chão.

Ainda segundo a versão dos PMs, o rapaz foi levado ao Hospital da Vila Nova Cachoeirinha, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória. A família suspeita de que o rapaz tenha sido espancado e assassinado por PMs. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a morte.

O médico Emilio Kaoru Kimura atestou que a vítima foi atendida já sem vida, com uma lesão na região occipital esquerda do crânio. O laudo completo do Instituto Médico Legal (IML) será concluído em 60 dias, apontando com precisão o motivo da morte.

No BO, consta ainda que os PMs informaram ao delegado de plantão que não havia necessidade de mandar a perícia até o escadão, porque não existia "vestígio de interesse policial". A única testemunha do caso é justamente o soldado Dos Santos, companheiro do sargento Mendonça na abordagem.

Suspeita. O comerciante Alexandre Dal Corso, de 40 anos, irmão do balconista, diz que outros policiais tentaram "blindar" o sargento Mendonça, quando ele o encontrou na delegacia na madrugada do dia 25. "Ele nem conseguiu me encarar e estava transtornado", conta. "PMs tentaram apresentar versões diferentes sobre o que tinha acontecido. A história não batia."

A suspeita de Alexandre aumentou dois dias depois. Ele passava pelo escadão, tentando encontrar testemunhas da morte do irmão, quando foi abordado por outros policiais.

O comerciante diz que foi revistado e outros dois rapazes que estavam no local foram vítimas de violência. Segundo Alexandre, encontraram maconha com os jovens, que foram obrigados a comer a droga, tomaram tapas na cabeça e receberam ameaças. "Imaginei o que podem ter feito com o meu irmão."

Mãe do balconista, a costureira Neusa Martins Dal Corso, de 64 anos, disse que estranhou as marcas no corpo do filho. "A parte de trás da cabeça, a nuca, estava destruída."

Investigação. O delegado Natanael Silva Abreu, titular do 38.º DP (Vila Amália), responsável pela área onde o balconista morreu, disse que estranhou as circunstâncias apontadas no BO e por isso instaurou inquérito.

Abreu ouvirá hoje o irmão e a mãe do balconista e pediu que investigadores busquem testemunhas da abordagem. "Tem de haver uma reconstituição para explicarem direito como a vítima caiu. É preciso investigar com calma e rigor. Não vamos prevaricar (deixar de cumprir a obrigação) para favorecer ninguém."

A PM diz que também abriu inquérito para apurar os fatos e convidou Alexandre a apresentar testemunhas. No bairro, as pessoas que vivem próximas ao escadão não querem falar sobre o que aconteceu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.