Policiais Militares matam publicitário durante abordagem em Pinheiros

PMs alegam que motorista fugiu de bloqueio; dois soldados e um cabo foram presos

Felipe Tau - estadão.com.br,

19 de julho de 2012 | 12h43

O publicitário Ricardo Prudente, de 39 anos, foi morto a tiros por policiais militares na noite de quarta-feira, 18, na Avenida das Corujas, perto da Praça do Pôr-do-sol, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital.

De acordo com nota oficial divulgada  pela PM, o motorista fugiu de uma tentativa de abordagem, por volta das 23h. Perseguido, bateu em outra viatura que tentou interceptá-lo e foi baleado depois  que os policiais "visualizaram Ricardo com um objeto na mão, pensando se tratar de uma arma". O objeto seria um celular.

Socorrido e levado ao Hospital das Clínicas, o publicitário não resistiu ao ferimentos: dois tiros na cabeça. Os PMs, dois soldados e um cabo, estão presos no Presídio Romão Gomes, na zona norte, onde aguardaram o resultado do inquérito policial. O caso foi registrado no 14º DP (Pinheiros), como homicídio doloso - com intenção de matar.

O publicitário portava cerca de 50 gramas de maconha dentro do veículo, mas não foram encontradas armas no carro, um Ford Fiesta. Ao menos cinco tiros atingiram a lataria e o para-brisa do automóvel. 

"Não acredito que tenha tido perseguição. Como uma pessoa é perseguida e para perfeitamente o carro na rua?", questiona a mulher de Prudente, a publicitária Lélia Pace Prudente de Aquino, de 35 anos, casada com havia nove anos. "Minha vida foi interrompida."

No comunicado, a Polícia Militar informou que  "lamenta a ocorrência" e que apura se, de fato, os policiais confundiram o celular do publicitário com uma arma. A corporação afirma que a ação "dá indícios de falhas de procedimento inaceitáveis" e conclui o comunicado se desculpando pelo ocorrido. "A Polícia Militar pede desculpas à família, à sociedade e esclarece que, após as apurações, os envolvidos pagarão pelos seus erros na medida de suas atitudes".

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